quinta-feira, 9 de abril de 2026

Amargor

 


Como o café

Que eu tomo todo dia


É amargo, preto

Sem vida


Eu bebo porque fui acostumada

Bebi, bebi tanto

Que acostumei com o amargor dele


Café mancha os dentes

Mesmo assim, eu tomo

E não me importo 


Café é forte,

Tem um cheiro tão bom

Com açúcar fica doce

Mas eu tomo sem


Porque quero sentir o amargor

Na minha boca todos os dias 

Pra me lembrar que minha vida

É como Café


Tomo ele todos os dias,

Porque me acostumei 


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Buraco sem fundo

 



Eu estava tentando sair dele...

Desse, buraco sem fundo 

Ao qual estive presa


Buraco sem fundo,

Que triste história 

Eu preciso contar, hoje?


Cai nele faz bastante tempo

Tentei escalar

Voar

Saltar

Pular 


Mesmo assim, só continuo caindo

Sempre caindo

Nesse buraco sem fundo


Ah, quando eu era pequena 

Me lembro

Desse lugar escuro

Ao qual estive presa


Nao conseguia sair

Mais eu tentava, mais fundo ficava


Hoje, nem vejo mais a luz

Tudo é escuro

Frio

E mórbido 


Que sensação estranha 

De desespero

E tristeza

Que eu sinto quando não vejo a luz lá fora


Como desejei ver

O exterior do buraco 

Como desejei sair e finalmente andar


Mas sei que, quando sair

Provavelmente morrerei

A única coisa que sei

Está nesse buraco sem fundo