sábado, 8 de julho de 2023

Avisando o aviso sem qualquer relevância

 Bemmm, meus leitores, tenho uma notícia que é muito improvável de se concretizar ( mas vai que né...): talvez eu faça um canal no YouTube para recitar poemas. Sim, eu sei, é mt gay, mas eu gosto de passar vergonha aparentemente. Estava lendo " O corvo" do Poe hoje e achei muito interessante fazer uma leitura dramática, dando ênfase às emoções do eu lírico. Já vi alguns senhores recitando poemas e acho extremamente bonito a forma como fica. Parece uma música, mas uma música que eu posso cantar e não me preocupar com a afinação. Enfim, se eu fizer dou um jeito de divulgar essa futura atrocidade.

Até maisss.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Ó-p-i-o

Vivo correndo e parando. Bruscamente.

Como um carro numa rodovia.

Não tem mais estradas retas e lineares.

Apenas labirintos escuros.

Não existe mais luz do sol.

Estamos em um eclipse eterno.

Quando que o vento e o sol vão voltar?

A alegria, a calma, sem tempestades?

Quando que o inverno vai embora?

E o calor, a chuva e as flores voltam a brilhar?

Quando que eu vou poder sorrir de novo?

Tão naturalmente quanto o ato de respirar?

Quando vou poder observar o mar, suas ondas quebrando, até o infinito, no horizonte...?

Quando vou poder desenhar e escrever como fazia antes?

Quando vou poder viver de novo?

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Estou perdida

Esse texto deveria ser intitulado como " O fenômeno da tristeza absoluta", mas não quero mais chamá-lo assim, porque esse título não define o que eu sinto sobre esse texto.

Na verdade, seria difícil dizer o que eu sinto até mesmo por essas malditas letras que se juntam e fazem mais sentido até que os meus pensamentos. Tudo isso é inútil. Tudo isso vai ser descartado. Então por que estou tentando?



 Eu não sei o que dizer.

Esse talvez seja o último momento em que eu escrevo sem saber ao certo o que me espera.

Tentei mudar meu destino várias vezes, em vão.
Estou aonde quis estar mesmo não estando no lugar em que meu coração procura.
Estou só.
Estou tão só.
Que dói.
No fundo da minha alma.
Dói demais.
O horrível disso
É saber
Que
Eu nunca seria o suficiente pra me fazer feliz.

Houve um certo tempo
Em que palavras como essa faziam parte dos meus textos.
Elas podiam expressar como eu me sentia antes.
Mas hoje, a realidade e essas palavras nunca pareceram dizer tanto sobre mim.
Não tenho outro modo de dizer.
Sou uma pessoa tão covarde que se contentou com isso.
Não quero tentar.
Porque tenho medo.
De ser rejeitada como naquela vez.

Talvez meus traumas de infância estejam me mantendo longe das pessoas, mas o que um animal com medo pode fazer além de fugir?

Tenho muito medo.
Eu não queria ser tão estranha.
Queria ser normal.
Como qualquer um.

Deus não sabe o quanto eu sofro por não ter certeza alguma do que vai acontecer.
É finalmente o momento?
Sinto que a minha vida se tornou tão vazia e fútil.

Sinto que perdi tudo.
Sinto que estou perdida.

Mesmo tendo um amigo, ele não pode me dar um motivo pra viver.
Assim como minha família ou meu gato também não.
Eu sou a única responsável por essa vida.
Escolho se quero ir ou voltar.
Mas achei que não ia voltar.
Jamais.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Morte súbita


 É melhor que seja curto e rápido como uma facada do que aos poucos como um tumor que se alastra e se vê caminhar até a morte cada vez mais próxima.

 É melhor que seja um voo preciso, rápido demais para se pensar, como a morte é para os animais que passam a vida inteira sem saber o que é morrer.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Silêncio, por favor.


Quando eu morrer...

Quero ter flores azuis e amarelas no meu funeral

Simbolizando a inconstância entre alegria e tristeza

Quero que chorem, riam, dancem, transem, façam de tudo que nunca puderam antes na vida.

Se posso pedir algo a Deus, peço que pelo menos um único dia seja permitido ser livre de verdade, de mostrar seus piores e melhores lados.

Que se veja em 360°, como um todo, um organismo que precisa de vários órgãos para funcionar, não apenas o coração.

Que sejas feliz e triste enquanto existe vida.
Que se sinta até a hora de minha morte.
Intensamente
Caoticamente
Mas que não se faça silêncio
Pois o silêncio é exclusivo dos mortos.

A arte não me define mais


Fazia muito tempo que eu não me sentia frustrada como hoje.


Não sei o que houve.


Talvez seja porque não tenho mais distrações. 


É frio. 


Mas não quero parar.


Eu quero dizer.


Que a arte não me define mais.


A única coisa que eu ainda queria fazer...


Se tornou uma outra coisa frustrante.


A vida é muito frustrante de modo geral.


Mas quando eu era a artista.


Tudo isso parecia ficar melhor.


Era um arco íris.


Um sol.


Agora.


Não sei mais.


Talvez...


Eu só me perdi...


E não sei se vou encontrar o caminho dessa vez.

Ondas


Me sinto num oceano.

Estou flutuando nas ondas.

Elas me levam devagar para 

Pra onde?



 Nasci aqui.

 Ontem percebi que

  Nasci nas ondas

  E morri

  Também nas ondas.



 Onde?

 Onde está o meu céu?

 Será que é egoísta

 Dizer isso?



 Me perdi 

 Não sei mais a saída.

 Não consigo ajudar ninguém.

 Como que as pessoas acham um fim?


 Como...?

 Morrem nas ondas?

 Ou morrem em si?

 De todo jeito 

 Eu ainda estou aqui.



 Sorte

 Não precisei sair.

 Elas me carregam até o meio do mar.

 O lugar onde eu nasci.

 E o único lugar...

 Para onde eu devo voltar.


sexta-feira, 19 de maio de 2023

Comfortable Abyss


Notas musicais 

Palavras 

Desenhos

Pinturas

Abstrações de tinta

Abstrações de morfemas

Abstrações de partituras

Abstrações de sentido.


Não é tão bonito assim.

Sentir 

É

Um

Grande

Pecado 

E

Eu

Não quero Sentir

Raiva

Tristeza

Solidão.


Na minha melancolia

Pelo menos sou a protagonista 

Na minha vida

Deixei de ser e de merecer

Faz tanto tempo

Que a única coisa que consigo ouvir agora é o silêncio

Como numa despedida

Ou num funeral

Um silêncio dormente

E contínuo. 


Um esquecimento de si mesmo

De quem você é

Para um total silêncio

Em que nem os pensamentos têm voz.


Somente o texto pode dizer alguma coisa

Muito contraditoriamente 

Quem sou eu?

O que eu sinto?

Será que esqueci a minha própria essência?


Pra onde estou indo?

Um profundo abismo me espera?

Será que no fundo e no escuro é confortável?

Quero estar coberta pela manta da escuridão. 

Num confortável abismo.

Em que pelo menos os ecos fazem algum som.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Coletânea de poemas tirados do meu cu

 "Pessoas"


O mundo sombrio 

Me transformou 

Como a escória da humanidade.


Quero sonhar

Onde somos

Preconceitos 

Vivências

E pessoas.


Entendi que

Eu cairia na mão desse sistema

Sou um número 

Porque simplesmente 

Existo.


"Linguagem humana"


Você está brilhando

Alguma obra dos poetas

Acha que não é possível?

Cores e imagens

Sentimentos e metáforas. 


O vento move pessoas

Acompanhadas de poesias

Um belo passo na criação

Da linguagem humana. 


"Amarelo"


Olhos amarelos

Amarelos

Vermelhos

Azuis

Amarelos-laranja

Contra um fundo

Fitando fixamente

A janela. 




domingo, 16 de abril de 2023

Site versao 2.0333333333

 Essa é apenas uma ideia que tive agora. Não me preocupava muito com o design do site até hoje, mas imagino que seja uma boa mudar ele para uma coisa mais agradável. 

"A missa do galo" de Machado de Assis.

 " Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta."


     Ultimamente, tenho notado que a maior parte dos meus textos são sobre mim. Confesso que estou um pouco cansada desse sentimentalismo inútil. Talvez, meus queridos leitores, também pensem dessa forma, afinal, esse blog deveria se voltar não só para questões de escrita. A princípio, eu queria recomendar livros e dar minhas impressões pessoais sobre algumas obras.

Eu nunca pensei que acharia divertido ler um livro para um trabalho de faculdade. É provável que seja uma das pouquíssimas vezes que acho divertido fazer alguma atividade estudantil. Não me sinto obrigada, porque eu não precisaria ler, não faria muita diferença numa turma com 40 ou mais alunos. O que me surpreende é que essa leitura, ao menos, na sua 2° tentativa foi muito prazerosa.

Uma dica que eu daria pra quem lê é: "Não leia quando o seus arredores estiverem puro caos. Procure um momento que você esteja disposto a leitura e um ambiente tranquilo."

Se você não tem um lugar tranquilo, ignore a última recomendação.

Sobre a obra, é um conto do Machadinho. Diferente de outras obras mais famosas dele, esse conto tem uma linguagem mais acessível, mais fácil de ler.

Algumas palavras eu não compreendo mesmo. Teremos que pesquisar, porém a maior parte é entendivel. Juro que você não vai precisar de um dicionário ao seu lado.

A obra é uma grande abstração. Nunca vou ter certeza do que se passava na mente dos personagens. O conto começa falando sobre Conceição, esposa de um escrivão. Ela tem uma imagem de Santa, ingênua e reservada. Já seu esposo, como exposto nas primeiras páginas do conto, comete atos de adultério frequentemente e Conceição sabe disso.

O conto parece mostrar que ela parou de se importar com o tempo, achando aquilo muito normal no tempo atual da história. Pois, então, entra o personagem Nogueira. Não lembro com certeza, mas acho que ele é um jovem, enquanto que Conceição, uma senhora. Veio de Mangaratiba para ver a Missa do galo. A noite, ele espera lendo, o horário da missa, que seria 00:00.

Nessa pausa, aparece Conceição. Ela se senta na cadeira em frente à Nogueira e inicia uma conversa. Conceição tem atitudes muito diferentes daquelas ditas no início do conto. É como se perdesse uma máscara e mostrasse outro lado de si, mais sensual e cativante do que o anterior.

Em umas partes, subentende-se que Conceição também teria traído seu marido. A questão desse conto é que nunca teremos certeza de coisa alguma, mas podemos imaginar diversas coisas a partir dele.

Antes que se desse conta, Nogueira esquece a missa, o livro e foca-se completamente em Conceição. Começa até a achar a mulher bonita, quando de repente, perto de 00:00, o escrivão bate à janela.

Assim, o conto termina com as conclusões do que os personagens viveram após a missa.

É um daqueles textos que inspiram em você uma imaginação fértil. Apenas com intenções mascaradas e interpretações que conseguimos ler pelas entrelinhas.

Eu gostei do conto, é uma leitura agradável e poderá entreter alguns leitores. Sei que é difícil lermos autores "clássicos" pelo medo de serem incompreensíveis, mas quando se trata de Machado de Assis, eu simplesmente o acho muito divertido. Mesmo que alguns de seus textos sejam, de fato, difíceis de ler pela linguagem da época, para mim pelo menos, vale dar a oportunidade de conhece-lo. Se quiser começar, a Missa do Galo deve ser uma boa oportunidade. No entanto, como eu acabei de comentar sobre, deixarei outra recomendação desse mesmo autor caso o meu leitor queira mergulhar em um texto do qual não sabe nada, no meu próximo post.

Imagino que devo esperá-los?


Então, até a próxima.