Robert — o rato (Todas as edições)
Robert ||
Robert caminha pelos becos escuros todas as noites, ele diz que a noite pode experimentar a solidão e o silêncio. De dia ele vive trancado dentro de casa — no sótão — fazendo experiências. Aos finais de semana vai ao consultório do Dr. Mindless, um psiquiatra e psicólogo. Toma seus remédios regularmente, mas não parece resolver.
Robert tem medo da sua própria sombra projetada nas paredes e no chão coberto pelo orvalho. Pensa que são demônios enviados para roubar sua mente. Eles sussurram coisas durante a noite, coisas que ninguém sabe, e mesmo que ele goste do silêncio absoluto, parece divertir-se ao contar sobre.
Robert não gosta muito de socializar. É antissocial desde que se conhece por gente. Ele também não trabalha, pois afirma que seus colegas de trabalho o manipularam.
Robert usa um casaco preto e luvas, seu rosto é rígido ilustrando uma expressão morta. A caraterística mais marcante dele são suas bochechas rosadas naturalmente. Ele não parece gostar de se vestir já que não compra muitas roupas.
Tudo o que sei sobre ele ao longo de 7 anos é muito escasso. Ele não gosta de minha companhia, sempre diz estar ocupado.
Aparições
Um dia Roby contou-me uma narrativa interessante sobre suas visões. Ele dissera que enquanto tomava banho sentia que algo o observava dentro do espelho. Como se fosse uma outra pessoa. Então, quando se sentia vigiado saía corajosamente do chuveiro e olhava a imagem. O que ele vira ninguém sabe. A história sempre termina nessa parte.
Ele é como um corvo esperando por uma vítima.
Robert parece estar cansado sempre. Nunca deixa brechas para eu interferir. Ele sofre com vários transtornos mentais, os quais ninguém sabe. Parece um caso sigiloso.
Robert mora no apartamento 1116, ele sai na rua às vezes para caçar, enquanto que no seu apartamento encontram-se diversos tipos de espécies animais.
Oh, pobre Robert ... Tenho pena desse ratinho. Ele perdeu a sanidade depois que seus pais morreram de um jeito horrível. Pendurados de cabeça para baixo, sem os órgãos e muito sangue no chão. Ele disse que fora a imagem mais marcante de sua vida porque era bela. A morte é bela para Robert, e desde aquele dia, o menino Roby está criando seus planos de fuga e suas estratégias para agarrar suas presas.
Robert nunca amou ninguém, nem a si próprio.
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Robert ||
Robert acordou cansado, com os pés inchados e dor nas costas. Ele já está ficando velho, e como qualquer outro, a idade vai dar-lhe as terríveis consequências. A geladeira ainda está vazia, juntamente ao seu estômago vazio. As vezes ele levanta cedo e tenta catar algumas coisas nas ruas para vender no ferro velho, mas quando consegue comida usa para capturar moscas. Ele tem várias delas, uma verdadeira coleção de moscas,pardais, cachorros e gatos. Sempre disse amar animais desde o começo do trabalho na firma, o que não durou muito tempo, pois sua saúde e personalidade não mudavam para o seu bel prazer. Quando podia o visitava e ele nunca agradecia ou dirigia uma palavra qualquer. Mesmo em dias difíceis eu tentava levar a refeição que o faria aguentar o enorme peso que a vida lhe impôs. Eu podia sacrificar até mesmo minha vida pela dele, ainda assim não teria nada a me dizer... Robert é um homem confuso. Especialmente quando se trata de amor. Quando lhe perguntei se ele amara alguém em sua infância, respondeu:
— Eu sempre amei a bela imagem refletida no espelho. Sou apaixonado pelo meu espelho!?
Indagando a respeito disso chegou a conclusão de que nunca amou alguém, em exceção de si próprio. Disse ainda que a sua mãe era muito feia e não podia ser amada.
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Robert |||
Ele olha pela janela fechada, admirando suas presas, tecendo sua teia... Como uma aranha.
A teia alimentar que surge, ressurge no meio da cadeia.
Em meio as grades da cela, procura uma sepultura que o levaria a sua real casa.
Cava um buraco aos poucos e vê o quanto é difícil fugir do destino.
Cada vez que vai no tribunal do júri, seus olhos queimam de raiva, porque lá está ele. Sentado no meio da sala, no seu trono, com óculos e olhando as folhas repletas de regras.
O juiz diz : Chegou a sua hora.
Mas Robert o refuta: Quando eu morrer pode dizer isso.
Todas as almas, atormentadas, livres e inocentes gritam: liberem o demônio! Deixem que ele termine o que o criador fez. Liberem-o! Já!
A verdade é que o demônio já está sem as algemas a muito tempo. Ele foi esperto demais para pensar em trair seu melhor boneco. Um de carne, porque os de pano são chatos.
Robert pode ter sérios problemas, mas este é só um deles. Apenas um.
O segundo é que ele não sabe o por que está vivo.
O terceiro é o fato dele estar na cadeia.
O quarto o fato de que ele não parece disposto a entender a si mesmo.
Já o último é que ele é um completo louco. Mas esse é o menor deles.
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Robert IV
As nuvens maciças, o ar pesado, estreitando de noite, na rua fria que dispensa pesares. A luz piscante do poste sem vida, atenuando as sombras que se projetam no asfalto.
Roby caminha.
Com sua voluptuosa sombra. Com seus frios olhos, sua impetuosa maldade e sua máscara de homem louco.
Robert não é louco. Ele sabe exatamente o que faz, procura a sua escuridão interna e adora isto.
Ele sabe o que faz quando está matando uma ovelhinha. Quando está caçando em áreas nos confins do mundo. Sim, ele sabe. Ele sempre soube.
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Robert V
Robert não sabe para onde ir.
Ele está ativo na estrada.
Com o seu carro verde limão.
Parado no semáforo.
Esperando que alguém passe e veja.
Que ele está mais perdido do que antes.
Ele está fugindo pela primeira vez em uma vida.
Fugindo do inevitável, das consequências de seus atos.
Ele parece uma criança num parque qualquer, procurando os pais, com dois cachorros quentes nas mãos e um olhar perdido.
Ele nunca foi assim
Sempre entendeu que o que ele fazia resultaria em algo.
Ele sabia disso.
Ele só não queria acreditar nisso.
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