Trecho do história ;" Demônio azul”
“Começou a chover do nada, estava frio, mais do que o normal. Alef fechou as cortinas e ficou no jardim. O jardim tinha uma cobertura de vidro recoberta por um plástico. As plantas adoravam a água que caía nelas quando chovia, através de um sistema de irrigação. Raios caíam e a chuva aumentava. O mágico continuava no jardim, observando a forma com que a natureza se encarregava de manter suas crias. O vento era o mensageiro, levava a chuva para todos os lugares. A chuva era o mantimento, que seria descarregado pelos céus na terra. Já os raios... bem. . diziam que era a cólera de Zeus, mas se eles tivessem uma função na natureza essa seria... O balanceamento? Significaria as discórdias, as contradições? Nem mesmo um mágico saberia responder a isso. Alef voltou para a casa, trazendo o vaso da Tulipa. Deixava ele na mesa da cozinha normalmente, mas preferiu que dessa vez ficasse na janela. A solidão nunca foi um problema para Alef. Ele viveu sozinho por muitos anos, ou melhor, viveu acompanhado de flores. Infelizmente estas não podiam falar. Mas quando estava acompanhado por Akemi, os dias pareciam mais longos, mais interessantes, melhores... Sim, tudo ficava mais vibrante e bonito nesses dias. Os dias em que ela estava do seu lado. Agora que ela não estava, as flores perdiam suas cores, o tempo passava muito devagar, devagar demais e a chuva era uma tortura.
Alef estava cansado, decidiu dormir antes de a noite chegar. Tomou uma pílula para dormir e caiu. No dia seguinte estava anestesiado por casa do remédio, então achou que sonhava. Ouviu o familiar som do portão quando aberto, e então passos cuidadosos.
A porta rangeu e sentiu a essência de flores da primavera.O mágico olhou de mais perto, apenas para ter certeza de que aquilo não era um sonho. Nem uma outra realidade, mas isso ele não podia saber. Mas e se fosse apenas uma ilusão que sua mente criara? Akemi estava na porta olhando os seus sapatos, com um ar distraído e seu jeito infantil. A sua ilusão era linda, mas não era real. Suas memórias voltaram. Alef agora lembra-se de sua origem e sabe que o seu único propósito na vida é trazer o caos. Isso ele estava fazendo sem perceber. Ele decidiu que se esta era sua única utilidade tentaria fazê-la antes de se encontrar com Akemi no outro mundo. O mágico estava determinado a espalhar sua essência caótica.”
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