quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Artĭfex


As vezes...


Somos levados a alguns lugares em que nunca imaginávamos estar.


Eu costumava gostar


De alguns dias do ano


Eles tinham uma forma diferente de percepção 


Mesmo que só fossem mais um dia no calendário


Mesmo que não significasse nada em um plano geral


Eu gostava muito do Natal 


Do fim de ano


Do verão 


Porque era a época em que tudo parecia diferente


E eu podia respirar e pensar


" Eu estou viva"


" Essa é a minha vida"


E agora,


Quando o Natal passa.


Eu não sinto nada demais.


As comidas não tem mais aquele sabor.


É solitário, mais do que em qualquer dia, porque eu percebo que...


A minha própria solidão se concretiza nesse dia.


E as férias de verão...


Não são empolgantes,


Não trazem nada de bom.


É como viver acorrentado


Numa profunda desilusão 


E não ver mais cores em nada


E nem sentir nada


Nada que me tira do sério 


E isso é tão chato...



Esses lugares incomuns 


Que a vida me trouxe


Não são lugares pra mim


Eu não me vejo neles 


Eu não sinto nada quando estou neles


Eu só sigo


E sigo


Como se em algum momento, fizesse algum sentido eu estar ali.


E como se em algum momento


Eu pudesse sentir qualquer coisa


Senhor, que frustração!


É tudo tão... artificial


Encenado


Parece que eu não sou carne e osso


Parece que não posso errar


Queria um caminho pra seguir


Daqui em diante


Pelo menos, se eu pudesse sentir aquela alegria de novo...


Aquela expectativa. 


Com o fim do ano.


Com o Natal!


Eu queria sentir qualquer coisa.


Que me tirasse disso.


E que me fizesse mover.


Pra qualquer lugar que fosse 


Desde que eu não escolhesse 


Desde que fosse você o meu guia.


Nenhum comentário:

Postar um comentário