sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

O Lobo da Estepe


E eu jamais sentiria que algo está bom o suficiente, você sabe.


(...) mesmo os seres ditos racionais podem se entregar à carnificina dependendo das circunstâncias em que se encontrem.


Estava pensando.

Em que medida me diferencio daqueles lunáticos, loucos?

Daqueles loucos que só obedecem sem questionar?



(...) Tive a impressão de que o homem estava enfermo, de que sofria de uma espécie qualquer de enfermidade, da alma, do espírito ou do caráter...


E tenho a impressão que sofro do mesmo male que esse homem,



(...) Pois o “Amarás teu próximo!” estava tão entranhado em sua alma como o odiar-se a si mesmo.


E levei isso muito a sério, Deus,


(...) O pior de tudo é que tal contentamento é exatamente o que não posso suportar. Preferindo sentir em mim uma verdadeira dor infernal a essa saudável temperatura de um quarto aquecido.


Nós simplesmente nunca vamos conseguir ficar em paz?


Arde então em mim um selvagem anseio de sensações fortes, um ardor pela vida desregrada, baixa, normal e estéril, bem como um desejo louco de destruir algo, seja um armazém ou uma catedral, ou a mim mesmo, de cometer loucuras temerárias, de arrancar a cabeleira a alguns ídolos venerandos, de entregar a um casal de estudantes rebeldes os ansiados bilhetes de passagem para Hamburgo...

"Estou curioso por saber até que ponto um homem pode resistir. E quando alcançar o limite do suportável, basta abrir a porta e escapar.”

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