Eu vejo você
Está em mim
Como um câncer incurável
Em todas as partes do meu corpo
Você pertence a mim
Tanto quanto o oxigênio que percorre o meu corpo
Você está em mim
Como uma parte inseparável do meu ser
Eu vejo você
Quando acordo e abro meus olhos
Você está lá
Gargalha.
Chora.
Ri.
E diz:
Morta viva,
tão pálida,
sem motivo de vida!
E quando eu olho de volta pra você,
Seu reflexo desaparece e eu só vejo
O rosto pálido,
as lágrimas descendo,
as sobrancelhas enrugadas,
E penso:
"Quem é esta pessoa?"
"Não a reconheço em mim."
Talvez, se fosse você, irmã
Que estivesse aqui
A vida poderia ser mais feliz
E enquanto vivesse, irmã
Tu serias tudo aquilo que não sou
A alegria que nunca consegui arrancar
do meu peito
No teu, fluiria como um rio
Os teus olhos seriam como estrelas cadentes
E tua pele corada e viçosa
Teus cabelos, macios e sedosos
Ah, irmã, por que não nascestes em vez de mim?
Por que não me poupaste a dor de viver?
Por que fostes embora?
Por que tive que ocupar teu lugar?
Se em nada me assemelho a ti?
Que alegria seria se fosse você, minha irmã...
Tu serias tudo aquilo que nunca pude ser
E esse buraco no meu peito jamais existiria
Sem necessidade de conserto
Remendos ou colagens
Ah, quão alegre eu seria
Se tu nascestes em vez de mim...
Quão sagrado,
Quão brilhante!
Minha inexistência
A volta ao Abismo
Ao Ponto Nulo
do qual eu parti
Mas Você está em mim
Não posso morrer
Ainda existiria você lá
Fazendo o corpo mover-se
sem alma
apenas
uma parte sua que restou
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