Silêncio
Tudo está calmo
Tranquilo
Eu viajo no ônibus
Olhando a natureza, as pessoas
O meu próprio reflexo distorcido na janela
Quando olho para o lado, ele está lá
Não fala muita coisa, olha o celular de vez em quando e também a janela
Eu escuto as vozes das pessoas
Lembro de como eu sempre conversava com a minha amiga nessas viagens
Eu não me atrevia a abrir minha boca
Para que?
Minhas palavras são como vento
São como o sussurro de um pássaro
Não tem importância
Não fazem nem som nos ouvidos dele
Antes, quando eu tentava conversar
Ia percebendo que quanto mais me esforçava, menos ele falava
Então tentei falar menos
Mas então ele também parou de falar
E os dois entraram em silêncio
Acho que, sinceramente
Quando estamos em qualquer lugar que nao seja o quarto dele
Eu sou como a sombra dele
Ele sabe que eu estou ali
Mas ele simplesmente nao olha para a própria sombra
E é como se eu nem existisse
Eu nunca me senti tão sozinha e triste do lado de uma pessoa
Qualquer coisa
Até o vento ou uma formiga é mais interessante do que eu
Antes, não era assim com frequência
O celular aparecia uma vez ou outro
Agora é o tempo todo
E eu estou ali
Bem na frente dele
Com os olhos cheios de tristeza
Ele percebe, mas
Não se importa o suficiente
Ou tem preguiça de perguntar
Porque não se importa
De fato, é isso
Carrego tanta dor no meu peito
As vezes acho que vou morrer se não me expressar
Alguns amigos dele nem me cumprimentam
Eu sou tipo um fantasma
Não tenho nome, nao existo
Eu sou o fantasma dele
Que ele esconde
E só quer ver de noite
Quando ninguém mais pode ver
Quando eu estou mal
Com dor de cabeça ou cansada
Ele faz a dor passar
Ele me dá um remédio, faz uma massagem
E entao a dor passa
Mas existe uma dor
Que ele talvez nunca vá conseguir tirar de mim
Nenhum comentário:
Postar um comentário