Existia uma história que eu costumava ouvir quando pequena, antes de dormir, sobre dois pássaros. Um desses pássaros, que era azul, tinha medo de sair do ninho, porque era alto demais e não sabia voar. O outro, da cor vermelha, enquanto isso, já tinha se jogado inúmeras vezes e tinha aprendido a voar, explorando todos os cantos do mundo. O pássaro azul sonhava em voar mundo afora como o vermelho, mas tinha tanto medo de se machucar que continuava no ninho. Um dia, o pássaro vermelho voou para longe e nunca mais voltou. O azul, sem notícias dele, desesperou-se e se jogou finalmente do ninho. Quando saltou, suas asas tão breve se mexeram e assim aprendeu a voar, mas seu único amigo, o pássaro vermelho, morreu bem perto das raízes da árvore, e ele, tão fraco pela falta de alimento, morreu ao seu lado.
No final, eu não entendia muito a mensagem dessa história aterrorizante, pois eu pensava, afinal, qual dos dois pássaros era o mais sensato, se no final, ambos teriam destinos iguais? De certa forma, nenhum deles parecia estar certo, mas aquele que eu mais me identificava era com o pássaro azul.
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