Era uma vez, uma pequena boneca de vidro
Ela enfeitava a estante de livros
Tão quietinha e intocável
Essa boneca tinha um sonho: o dia em que poderia falar, cantar, dançar
Queria sair da estante
Andar pela casa
Conhecer outras bonecas como ela
E também as outras coisas que ela nunca pode ver
Mas ela tinha sido quebrada
Em um ponto tão crucial
Quando parada, as rachaduras não ameaçam romper
Mas em qualquer passo
O vidro todo se racharia
Em mil pedacinhos
Nunca mais ela seria
A bonequinha intocável de vidro
Que enfeita a estante
Que nada diz
Que não se move nem dança nem canta
Nem sonha
Simplesmente existe
As vezes queria quebrar-se em mil pedacinhos.
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