terça-feira, 9 de junho de 2020

Euforia

Euforia

Minha amiga não encontrou paz nesta vida
Ele só servia para entregar jornais
Na fila do banco, o homem sorriu
A atendente muito maquiada derramou trinta lágrimas, noite passada
Porque seu namorado teve outra crise de ciúmes
Pensando que o chefe dela iria se aproveitar
Da bondade e inocência da moça
Que só tem 23 anos
A mulher bem vestida
Entrou na agência de carros da esquina
Olhando para aquele com dígitos de 5 ou mais
Ela tirou um cartão da carteira e sorriu debochando
Daqueles meninos que sorriam apenas por comer 30 esfirras na lanchonete
Daqueles pessoas de rua que
escurecem as calçadas
Com sua aura
De quem cansou de viver

Da mãe que não tem comida para alimentar seus filhos
E mal consegue se manter em pé
De tanto trabalhar na roça
Ela cai no chão em exaustão

O velhinho de terno embarcou no trem das 7 novamente
O estudante universitário sentou na cadeira perto da janela outra vez
Colocou seu fone de ouvidos
E viajou para outro mundo enquanto todo mundo ainda estava ali
Olhando para a cara um do outro
Pensando em como era difícil pensar
Talvez amanhã, eles nem estejam mais lá
E se ontem eles viveram, foi porque ainda havia comida na mesa, salário na conta e outras coisas que nos servem de base para não morrer

A vida nunca precisou justificar o motivo de tanta ira
De tantas mortes
Do por que eu não morri como eles
Se a vida fosse realmente justa
Que motivos teríamos para brigar?
Acho que a falta deles, nos faz pensar
Será que o mundo ideal, não é, uma utopia impossível?

Se a vida fosse realmente justa
O que aconteceria com aqueles que lutaram contra essas injustiças?
Se não fosse possível determinar
Quem merece o que
Então por que?
Por que és tão difícil?
Viver

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