As vezes...
Somos levados a alguns lugares em que nunca imaginávamos estar.
Eu costumava gostar
De alguns dias do ano
Eles tinham uma forma diferente de percepção
Mesmo que só fossem mais um dia no calendário
Mesmo que não significasse nada em um plano geral
Eu gostava muito do Natal
Do fim de ano
Do verão
Porque era a época em que tudo parecia diferente
E eu podia respirar e pensar
" Eu estou viva"
" Essa é a minha vida"
E agora,
Quando o Natal passa.
Eu não sinto nada demais.
As comidas não tem mais aquele sabor.
É solitário, mais do que em qualquer dia, porque eu percebo que...
A minha própria solidão se concretiza nesse dia.
E as férias de verão...
Não são empolgantes,
Não trazem nada de bom.
É como viver acorrentado
Numa profunda desilusão
E não ver mais cores em nada
E nem sentir nada
Nada que me tira do sério
E isso é tão chato...
Esses lugares incomuns
Que a vida me trouxe
Não são lugares pra mim
Eu não me vejo neles
Eu não sinto nada quando estou neles
Eu só sigo
E sigo
Como se em algum momento, fizesse algum sentido eu estar ali.
E como se em algum momento
Eu pudesse sentir qualquer coisa
Senhor, que frustração!
É tudo tão... artificial
Encenado
Parece que eu não sou carne e osso
Parece que não posso errar
Queria um caminho pra seguir
Daqui em diante
Pelo menos, se eu pudesse sentir aquela alegria de novo...
Aquela expectativa.
Com o fim do ano.
Com o Natal!
Eu queria sentir qualquer coisa.
Que me tirasse disso.
E que me fizesse mover.
Pra qualquer lugar que fosse
Desde que eu não escolhesse
Desde que fosse você o meu guia.