terça-feira, 26 de novembro de 2024

O meu jeito de gostar das pessoas


Tudo bem,


Certamente eu deveria estar em um hospício.



Conclui que o meu jeito de gostar das pessoas não é nada saudável 


Muito menos normal


Bem, existem um monte de outras mulheres assim


Na verdade eu só faço parte de um grupo que eu detesto


Mas tenho que admitir


Que eu só gosto de pessoas que parecem inalcansáveis 


Talvez seja devido a esse ódio interno


Não sei se tem cura


Há anos tento me consertar e mesmo assim 


Um monte de erros no código


Nada funciona 


Eu detesto


O meu corpo


Desde a cabeça aos pés 


Quando eu olho pra mim


Odeio o quanto eu não consigo fazer nada que eu queria!


Odeio minha personalidade 

Odeio o meu jeito

Odeio basicamente tudo em mim


Mas olha, eu sei


Que eu preciso tentar

Alguma vez

Na minha vida


Gostar um pouco dessa abominação que eu sou

(Que nós somos, né? Afinal você não deve estar aqui por outra razão.)

Ou que estou me tornando


Por favor...

Eu queria tanto ter alguém pra dizer isso


Alguém que pudesse me ouvir e dizer


Que não é assim

(E mesmo que não fosse, eu jamais conseguiria me ver diferente disso.)

Mas eu sei que é


No fim, 


Algumas pessoas nascem pra fazer peso na Terra


Eu sou uma dessas


Se eu não mudar

Parece que vou ser um erro de código 


Sempre

Sempre

Eu estou tentando, Deus


Mudar isso...


Se eu me aceitasse da maneira que o senhor me criou?


Será que isso bastaria?


E eu poderia ter paz de espírito?


As vezes procuro motivos pra morrer


E não precisar 


Tantas vezes me mostrou 


O quanto eu era bonita


E uma pessoa boa?


Mas eu só sou capaz de ver o pior lado


Os defeitos


Eu só consigo ver a parte ruim


Então, Senhor Deus, me mostre a minha parte boa?


Por favor.

Eu pensei em...

 

Você,

Fumando na chuva.

Meu querido,

Que visão!


Parecia irreal

Como as nuvens são 

Para nós que estamos abaixo delas.


Que beleza

E formosura

A Que demonstrastes 

Naquela fumaça pura

Meu anjo, mas que beleza a sua!


Comparado a tudo que vi,

A melancólica figura,

A nada se equipara.



Sendo direta

A primeira coisa que pensei

Não foi só no quão bonito você parecia naquela cena

Mas sim

O tipo de pensamento

Que eu talvez não deveria ter

De um total desconhecido

Eu pensei 

É comestível?

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Rio de janeiro, 11 de novembro de 2024.

 


Olá, Wendy.


Eu preciso te contar.


Descobri algo interessante aos 21 anos.


A vida adulta não era como você pensava.


É 10.000 vezes pior


O amor também não era como pensava


Não existe uma pessoa certa nem ideal pra mim, muito menos perfeita


Eu só preciso estar com alguém que eu goste e é isso, talvez eu nem ame essa pessoa


O amor de fato se constrói com o tempo

A paixão morre rápido 


A vida é curta, principalmente quando se está na casa dos 20


Eu deveria aproveitar tudo isso, mas não vou conseguir porque me preocupo excessivamente com o seu futuro.


Eu sinto medo da velhice

Sinto medo do meu futuro

Sinto medo do presente

Sinto medo de não ser suficiente

Sinto medo de não conseguir 

Sinto medo de ficar sozinha

Sinto medo de errar

Sinto medo de acertar

Sinto medo

Sinto 


Sinto tudo 

Tudo

Em uma intensidade

Assustadora


(Me arrependo, de vez em quando, de pedir a Deus que me tire do sério)


Mas se eu for pensar, ainda bem


Não estou tão distante das outras pessoas.


Me sinto humana, principalmente.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Artĭfex


As vezes...


Somos levados a alguns lugares em que nunca imaginávamos estar.


Eu costumava gostar


De alguns dias do ano


Eles tinham uma forma diferente de percepção 


Mesmo que só fossem mais um dia no calendário


Mesmo que não significasse nada em um plano geral


Eu gostava muito do Natal 


Do fim de ano


Do verão 


Porque era a época em que tudo parecia diferente


E eu podia respirar e pensar


" Eu estou viva"


" Essa é a minha vida"


E agora,


Quando o Natal passa.


Eu não sinto nada demais.


As comidas não tem mais aquele sabor.


É solitário, mais do que em qualquer dia, porque eu percebo que...


A minha própria solidão se concretiza nesse dia.


E as férias de verão...


Não são empolgantes,


Não trazem nada de bom.


É como viver acorrentado


Numa profunda desilusão 


E não ver mais cores em nada


E nem sentir nada


Nada que me tira do sério 


E isso é tão chato...



Esses lugares incomuns 


Que a vida me trouxe


Não são lugares pra mim


Eu não me vejo neles 


Eu não sinto nada quando estou neles


Eu só sigo


E sigo


Como se em algum momento, fizesse algum sentido eu estar ali.


E como se em algum momento


Eu pudesse sentir qualquer coisa


Senhor, que frustração!


É tudo tão... artificial


Encenado


Parece que eu não sou carne e osso


Parece que não posso errar


Queria um caminho pra seguir


Daqui em diante


Pelo menos, se eu pudesse sentir aquela alegria de novo...


Aquela expectativa. 


Com o fim do ano.


Com o Natal!


Eu queria sentir qualquer coisa.


Que me tirasse disso.


E que me fizesse mover.


Pra qualquer lugar que fosse 


Desde que eu não escolhesse 


Desde que fosse você o meu guia.


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Tudo aquilo que eu poderia ter sido... (e não sou)


Talvez, desde o início, houvesse uma roleta.

Que alguma entidade despreocupada, girou.

E definiu como uma sentença para mim.


Ou pode ser que...

[Eu não seja nada além de um pó e que nenhuma entidade tenha saco pra rolar roletas?]

Tudo que eu sou, não é nada além do que um monte de possibilidades que se excluiram/restringiram.


Desde que eu soubesse...?

E mesmo que eu soubesse...


Isso não mudaria.


Não importa o que eu pudesse fazer,


Eu provavelmente não tenho culpa.


Nem ninguém teria culpa, isso é...


Só como as coisas deveriam ter sido.


Mesmo que eu sinta que seria melhor se não tivesse sido.


[ Algumas vezes, todo mundo deve pensar que sua existência é vazia]

[ O que é incrível, é que mesmo assim, algumas pessoas decidem viver mais um dia e ver no que dá]

[ E percebem que pior do que a vida, é a morte]

[Porque a morte é a impossibilidade]

[de Tudo]

[da dor]

[da alegria]

[e é um jeito de dizer]

[que talvez, isso tudo precise ser vivido]


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Você lembra das coisas boas e esquece as ruins...

 


A memória seletiva


É uma entidade


Que me assombra.


Há quanto tempo estou aqui?


Acho tudo isso tão chato... Honestamente...


Por que não posso, simplesmente, ir lá e fazer?


É tão simples.


É só um segundo e acabou tudo.


O medo só existe enquanto você o evita.


Depois, parece que tudo se torna ridículo.


E a raiva te consome e você fica feliz.


De novo,


Tudo isso é uma loucura.


Por que fazer isso, nessa altura?


Quando cheguei tão longe e demorei tanto, tanto tempo?


Eu olho ao meu redor.


E vejo que sou uma pequena sombra cinza de algum objeto.


"Você deveria... Com essa idade, sem personalidade?"


As vezes me pergunto o que eu sou.


E não encontro resposta.


Nesses anos, 20 anos, eu tentei descobrir.


E olha, não consegui.


E mesmo que eu descobrisse...


Ainda tamparia o rosto, com vergonha.


Porque pra mim, em qualquer tempo, eu sou sempre só mais um.


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

O motivo de estar vivendo por todo esse tempo.


É...

Estranho.


É como mergulhar 

respirando.


Como se algo estivesse errado.


Como se eu fosse um ser terrestre.

E vivesse na água.

Esperando uma metamorfose acontecer.


Eu não sei dizer o que tem de errado.

Mas há algo de errado, incerto e que não encaixa nisso.


Pode ser que seja eu mesma.

A coisa que não encaixa.

Mas como explicar isso?


Eu não me sinto bem na maior parte do tempo, porque sinto esse sentimento de não encaixe. Sinto como se estivesse me enganando e fingindo.


Eu queria sentir...

Como se mesmo em 20 anos.

Aquele em específico.

Tivesse valido a pena ser vivido.

Como se os astros, as estrelas e o céu,

as galáxias e as nebulosas,

Coexistissem.



Como se...

Naquele dia,

Eu esperasse o último trem.

E não houvesse em nenhuma hipótese outra alternativa.

Como se fosse...

A única coisa que eu teria certeza.

E então, eu entenderia o motivo.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

D-e-s-p-e-r-d-i-c-í-o


teuarrependimentoadecepçãooacidentesouteusegundoerrosouaquelequetunãoqueriaadordenãoserútilnemcapazdemudarisso TuaVisãoÉComoNévoaEmMontanhas Sousujaenãomereçoestarvivasouimundonãoqueriatersaidoumdestinodoqualeujamaispossomudar

Este texto é um desperdício

sábado, 6 de julho de 2024

Arthur Rimbaud, Cartas do Vidente.



     Eu quero ser poeta e trabalho para me tornar Visionário: isso o senhor não compreenderá de jeito nenhum, e eu dificilmente saberia lhe explicar. Trata-se de chegar ao desconhecido pelo desregramento completo de todos os sentidos. Os sofrimentos são enormes, mas é preciso ser forte, ter nascido poeta, e eu me reconheci poeta. Não é de forma alguma minha culpa. É incorreto dizer: Eu penso: deveríamos dizer pensam-me. — Desculpe pelo jogo de palavras. Eu é um outro. Uma pena para a madeira que se descobre violino, e às Favas os inconscientes, que tagarelam sobre o que ignoram completamente.

    Pois Eu é um outro. Se o bronze acorda clarim, ele não tem culpa alguma. Isto é evidente: eu assisto à eclosão do meu pensamento: eu a olho, eu a escuto: lanço o arco sobre as cordas: a sinfonia produz uma agitação nas profundezas ou vem de assalto sobre a cena. Se os velhos imbecis não tivessem encontrado o significado falso do Eu, não teríamos que varrer esses milhões de esqueletos que desde um tempo infinito acumularam produtos da sua inteligência tacanha, clamando-se autores!

    O primeiro estudo para o homem que quer ser poeta é seu próprio conhecimento, sem reservas; ele procura sua alma, ele a inspeciona, ele a tenta, ensina-lhe. A partir do momento que ele a conhece, deve cultivá-la; isso parece simples: em todo cérebro realiza-se um desenvolvimento natural: tantos egoístas se proclamam autores; há ainda outros que atribuem a si mesmos seu próprio progresso intelectual!

    O Poeta faz-se visionário por um longo, imenso e racional desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; ele busca a si mesmo, acaba-se em todos os venenos para guardar somente a quintessência. Inefável tortura na qual necessita de toda fé, de toda força sobre-humana, onde se torna, entre todos, o grande doente, o grande criminoso, o grande maldito — e o supremo Sábio! — Pois ele chega ao desconhecido! Visto que cultivou sua alma, já rica, mais do que a de qualquer outro! Ele chega ao desconhecido e quando, enlouquecido, acabaria por perder a inteligência de suas visões, ele as vê!

O poeta é verdadeiramente um ladrão de fogo. Ele é carregado de humanidade, dos animais mesmo; ele deverá sentir, apalpar, escutar suas invenções; se o que ele conta do além possui forma, ele dá forma, se é informe, ele dá o informe. 

    Encontrar uma língua; Essa língua será da alma para a alma, resumindo tudo, perfumes, sons, cores, ao pensamento se agarrando e desfazendo o pensamento. O poeta definiria a quantidade de desconhecido que em seu tempo desperta na alma universal.

domingo, 30 de junho de 2024

[ O poeta fora de si ]



     " Pois todos os poetas de versos épicos, os bons, não em virtude de técnica, mas estando entusiasmados e possuídos, é que dizem todos aqueles belos poemas (...)

(...) Pois coisa leve é o poeta, e alada e sacra, e incapaz de fazer poemas antes que se tenha tornado entusiasmado e ficado fora de seu juízo e o senso não esteja mais nele. Enquanto mantiver esse bem, o senso, todo homem é incapaz de fazer poemas e de cantar oráculos. Por isso, o deus retira deles o senso e se serve deles como servidores, e também dos cantores de oráculos e dos adivinhos divinos, para que nós, os ouvintes, saibamos que não são eles — aqueles nos quais o senso está ausente — os que falam essas coisas assim dignas de tanto valor, mas o próprio deus é quem fala, e através deles se faz ouvir por nós. O deus nos mostra, para que não duvidemos, que não são humanos estes belos poemas, nem de homens, mas divinos e de deuses, e os poetas não são nada além de intérpretes dos deuses, possuídos por aquele que possui cada um." (PLATÃO, Íon, v.533)


 "(...) Eu quero ser poeta e trabalho para me tornar Visionário: isso o senhor não compreenderá de jeito nenhum, e eu dificilmente saberia lhe explicar. Trata-se de chegar ao desconhecido pelo desregramento completo de todos os sentidos. Os sofrimentos são enormes, mas é preciso ser forte, ter nascido poeta, e eu me reconheci poeta. Não é de forma alguma minha culpa. É incorreto dizer: Eu penso: deveríamos dizer pensam-me. — Desculpe pelo jogo de palavras. Eu é um outro." (RIMBAUD, Arthur. Cartas Visionárias, Rimbaud a Georges Izambard) 

"A mente do poeta é o fragmento de platina. Ela pode, parcial ou exclusivamente, atuar sobre a experiência do próprio homem, mas, quanto mais perfeito for o artista, mais inteiramente separado estará nele o homem que sofre e a mente que cria; e com maior perfeição saberá a mente digerir e transfigurar as paixões que lhe servem de matéria-prima.” (T. S., Eliot. Tradição e Talento individual)


quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Nao se desespere.

 

São importantes?
Aquelas fotos?
Ou eu posso apagar tudo?
E fingir que não existiu?

Você está perdendo tempo.
E vai ficar só.
Sozinha.
Como no momento em que nasceu.

E se eu não tenho medo?
De estar só?
De morrer só?

Preciso ter medo?
Como uma criança perdida?

Por que ter medo?
Da solidão...
Se já experimentei ela como uma prato frio servido todos os dias?

Já está em mim.
Já estou sozinha.
Sozinha.

Mas não me perdi.
Sei pra onde ir.
Então não se desespere.

Vou fazer um bom caminho.
Nessa coisa estranha.

Não se preocupe comigo.
Vou dar conta e ficar bem.

Quando eu me sentir mal.
Vou chorar nos meus próprios pés.
Vou secar minhas lágrimas.
Vou me consolar.
E seguir.

Não tem problema.
Porque estamos todos sós.


É difícil aceitar.
Um vazio tão grande.

Mas não se desespere.
Não se desespere.
Pequena criança.