segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Minha única e especial razão de viver tão alegremente no caos

 


Preciso


Da paz dos anjos 


(Pra talvez suportar a tristeza da ideia de perder você, mãe)


Essa noite.


Deus, não fecho os olhos


Mesmo que eu saiba que preciso dormir.


Estou preocupada com o amor da minha vida.


E se ele for embora e me deixar aqui?


Nesse mundo sombrio, Deus?


Pelo menos eu ainda terei você?


Do meu lado?


Mesmo que eu morra um pouco por dentro?


Mesmo que eu precise aprender a viver de novo?


E de novo?


Por favor, fica mais um pouco aqui.


Eu preciso de você comigo.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

E lá vamos nós...



Eu sou meio louca da cabeça mesmo né?


Eu deveria estar em um hospício 


Estou só repetindo as mesmas coisas


Os mesmos erros

(E as mesmas palavras?)


Uma história que eu tô cansada 


Honestamente 


Parece até que veio de fábrica


É um defeito terrível 


Eu sempre gosto de pessoas que parecem estar em um patamar superior ao meu


Então, eu só me rebaixo e os trato como deuses


Eu estou fazendo isso de novo


Tudo bem que...


Meio que qualquer pessoa estaria melhor do que eu agora se for pensar.


Mas eu coloco elas em um nível tão alto.


Eu sinto que me apaixono por pessoas que parecem inalcansáveis.


Pra depois eu caçar elas até a exaustão 


Da minha obsessão 


E isso é horrível, né?


Pelo menos parece que sei quando parar


O momento que isso fica baixo demais


Eu percebo e paro 


Pelo menos isso 


Mas agora que eu tive interesse, em todos esses anos, por uma pessoa, genuinamente


Eu refaço a mesma coisa


Nossa, que inferno de mente a minha 


Ela não me deixa nem amar em paz


Diz que é ridículo 


Diz que sou um lixo


Que ninguém vai me querer 


Que estou sonhando muito alto


Deus do céu, me acorde então 


Talvez esteja certo, talvez seja isso mesmo


Eu nem acredito em mim mesma 


Imagine outra pessoa


Estou em um buraco tão fundo


Mas estou aqui, nesse momento 


E é isso que importa, no fim


Talvez essa pessoa nem se toque da minha existência 


Nós nem interagimos


Na verdade eu nunca tinha tido interesse por ela antes, mesmo a vendo constantemente 


Eu não sei de onde surgiu


Não faz muito sentido 


Talvez seja por causa daquele dia que eu parei pra olhar pra ela.


( Eu só precisava olhar?)


Isso soa muito idiota?


Eu não quero, na verdade, ir até essa pessoa


Talvez me falte coragem


Ou no pior das hipóteses, talvez eu saiba porque não daria certo


Me parece meio óbvio 


Tudo isso é...


Engraçado, no fim das contas


E eu sou o palhaço 


Que tenta manter a pose 


De que não enlouqueceu ainda.

O meu jeito de gostar das pessoas


Tudo bem,


Certamente eu deveria estar em um hospício.



Conclui que o meu jeito de gostar das pessoas não é nada saudável 


Muito menos normal


Bem, existem um monte de outras mulheres assim


Na verdade eu só faço parte de um grupo que eu detesto


Mas tenho que admitir


Que eu só gosto de pessoas que parecem inalcansáveis 


Talvez seja devido a esse ódio interno


Não sei se tem cura


Há anos tento me consertar e mesmo assim 


Um monte de erros no código


Nada funciona 


Eu detesto


O meu corpo


Desde a cabeça aos pés 


Quando eu olho pra mim


Odeio o quanto eu não consigo fazer nada que eu queria!


Odeio minha personalidade 

Odeio o meu jeito

Odeio basicamente tudo em mim


Mas olha, eu sei


Que eu preciso tentar

Alguma vez

Na minha vida


Gostar um pouco dessa abominação que eu sou

(Que nós somos, né? Afinal você não deve estar aqui por outra razão.)

Ou que estou me tornando


Por favor...

Eu queria tanto ter alguém pra dizer isso


Alguém que pudesse me ouvir e dizer


Que não é assim

(E mesmo que não fosse, eu jamais conseguiria me ver diferente disso.)

Mas eu sei que é


No fim, 


Algumas pessoas nascem pra fazer peso na Terra


Eu sou uma dessas


Se eu não mudar

Parece que vou ser um erro de código 


Sempre

Sempre

Eu estou tentando, Deus


Mudar isso...


Se eu me aceitasse da maneira que o senhor me criou?


Será que isso bastaria?


E eu poderia ter paz de espírito?


As vezes procuro motivos pra morrer


E não precisar 


Tantas vezes me mostrou 


O quanto eu era bonita


E uma pessoa boa?


Mas eu só sou capaz de ver o pior lado


Os defeitos


Eu só consigo ver a parte ruim


Então, Senhor Deus, me mostre a minha parte boa?


Por favor.

Eu pensei em...

 

Você,

Fumando na chuva.

Meu querido,

Que visão!


Parecia irreal

Como as nuvens são 

Para nós que estamos abaixo delas.


Que beleza

E formosura

A Que demonstrastes 

Naquela fumaça pura

Meu anjo, mas que beleza a sua!


Comparado a tudo que vi,

A melancólica figura,

A nada se equipara.



Sendo direta

A primeira coisa que pensei

Não foi só no quão bonito você parecia naquela cena

Mas sim

O tipo de pensamento

Que eu talvez não deveria ter

De um total desconhecido

Eu pensei 

É comestível?

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Rio de janeiro, 11 de novembro de 2024.

 


Olá, Wendy.


Eu preciso te contar.


Descobri algo interessante aos 21 anos.


A vida adulta não era como você pensava.


É 10.000 vezes pior


O amor também não era como pensava


Não existe uma pessoa certa nem ideal pra mim, muito menos perfeita


Eu só preciso estar com alguém que eu goste e é isso, talvez eu nem ame essa pessoa


O amor de fato se constrói com o tempo

A paixão morre rápido 


A vida é curta, principalmente quando se está na casa dos 20


Eu deveria aproveitar tudo isso, mas não vou conseguir porque me preocupo excessivamente com o seu futuro.


Eu sinto medo da velhice

Sinto medo do meu futuro

Sinto medo do presente

Sinto medo de não ser suficiente

Sinto medo de não conseguir 

Sinto medo de ficar sozinha

Sinto medo de errar

Sinto medo de acertar

Sinto medo

Sinto 


Sinto tudo 

Tudo

Em uma intensidade

Assustadora


(Me arrependo, de vez em quando, de pedir a Deus que me tire do sério)


Mas se eu for pensar, ainda bem


Não estou tão distante das outras pessoas.


Me sinto humana, principalmente.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Artĭfex


As vezes...


Somos levados a alguns lugares em que nunca imaginávamos estar.


Eu costumava gostar


De alguns dias do ano


Eles tinham uma forma diferente de percepção 


Mesmo que só fossem mais um dia no calendário


Mesmo que não significasse nada em um plano geral


Eu gostava muito do Natal 


Do fim de ano


Do verão 


Porque era a época em que tudo parecia diferente


E eu podia respirar e pensar


" Eu estou viva"


" Essa é a minha vida"


E agora,


Quando o Natal passa.


Eu não sinto nada demais.


As comidas não tem mais aquele sabor.


É solitário, mais do que em qualquer dia, porque eu percebo que...


A minha própria solidão se concretiza nesse dia.


E as férias de verão...


Não são empolgantes,


Não trazem nada de bom.


É como viver acorrentado


Numa profunda desilusão 


E não ver mais cores em nada


E nem sentir nada


Nada que me tira do sério 


E isso é tão chato...



Esses lugares incomuns 


Que a vida me trouxe


Não são lugares pra mim


Eu não me vejo neles 


Eu não sinto nada quando estou neles


Eu só sigo


E sigo


Como se em algum momento, fizesse algum sentido eu estar ali.


E como se em algum momento


Eu pudesse sentir qualquer coisa


Senhor, que frustração!


É tudo tão... artificial


Encenado


Parece que eu não sou carne e osso


Parece que não posso errar


Queria um caminho pra seguir


Daqui em diante


Pelo menos, se eu pudesse sentir aquela alegria de novo...


Aquela expectativa. 


Com o fim do ano.


Com o Natal!


Eu queria sentir qualquer coisa.


Que me tirasse disso.


E que me fizesse mover.


Pra qualquer lugar que fosse 


Desde que eu não escolhesse 


Desde que fosse você o meu guia.


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Tudo aquilo que eu poderia ter sido... (e não sou)


Talvez, desde o início, houvesse uma roleta.

Que alguma entidade despreocupada, girou.

E definiu como uma sentença para mim.


Ou pode ser que...

[Eu não seja nada além de um pó e que nenhuma entidade tenha saco pra rolar roletas?]

Tudo que eu sou, não é nada além do que um monte de possibilidades que se excluiram/restringiram.


Desde que eu soubesse...?

E mesmo que eu soubesse...


Isso não mudaria.


Não importa o que eu pudesse fazer,


Eu provavelmente não tenho culpa.


Nem ninguém teria culpa, isso é...


Só como as coisas deveriam ter sido.


Mesmo que eu sinta que seria melhor se não tivesse sido.


[ Algumas vezes, todo mundo deve pensar que sua existência é vazia]

[ O que é incrível, é que mesmo assim, algumas pessoas decidem viver mais um dia e ver no que dá]

[ E percebem que pior do que a vida, é a morte]

[Porque a morte é a impossibilidade]

[de Tudo]

[da dor]

[da alegria]

[e é um jeito de dizer]

[que talvez, isso tudo precise ser vivido]


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Você lembra das coisas boas e esquece as ruins...

 


A memória seletiva


É uma entidade


Que me assombra.


Há quanto tempo estou aqui?


Acho tudo isso tão chato... Honestamente...


Por que não posso, simplesmente, ir lá e fazer?


É tão simples.


É só um segundo e acabou tudo.


O medo só existe enquanto você o evita.


Depois, parece que tudo se torna ridículo.


E a raiva te consome e você fica feliz.


De novo,


Tudo isso é uma loucura.


Por que fazer isso, nessa altura?


Quando cheguei tão longe e demorei tanto, tanto tempo?


Eu olho ao meu redor.


E vejo que sou uma pequena sombra cinza de algum objeto.


"Você deveria... Com essa idade, sem personalidade?"


As vezes me pergunto o que eu sou.


E não encontro resposta.


Nesses anos, 20 anos, eu tentei descobrir.


E olha, não consegui.


E mesmo que eu descobrisse...


Ainda tamparia o rosto, com vergonha.


Porque pra mim, em qualquer tempo, eu sou sempre só mais um.


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

O motivo de estar vivendo por todo esse tempo.


É...

Estranho.


É como mergulhar 

respirando.


Como se algo estivesse errado.


Como se eu fosse um ser terrestre.

E vivesse na água.

Esperando uma metamorfose acontecer.


Eu não sei dizer o que tem de errado.

Mas há algo de errado, incerto e que não encaixa nisso.


Pode ser que seja eu mesma.

A coisa que não encaixa.

Mas como explicar isso?


Eu não me sinto bem na maior parte do tempo, porque sinto esse sentimento de não encaixe. Sinto como se estivesse me enganando e fingindo.


Eu queria sentir...

Como se mesmo em 20 anos.

Aquele em específico.

Tivesse valido a pena ser vivido.

Como se os astros, as estrelas e o céu,

as galáxias e as nebulosas,

Coexistissem.



Como se...

Naquele dia,

Eu esperasse o último trem.

E não houvesse em nenhuma hipótese outra alternativa.

Como se fosse...

A única coisa que eu teria certeza.

E então, eu entenderia o motivo.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

D-e-s-p-e-r-d-i-c-í-o


teuarrependimentoadecepçãooacidentesouteusegundoerrosouaquelequetunãoqueriaadordenãoserútilnemcapazdemudarisso TuaVisãoÉComoNévoaEmMontanhas Sousujaenãomereçoestarvivasouimundonãoqueriatersaidoumdestinodoqualeujamaispossomudar

Este texto é um desperdício

sábado, 6 de julho de 2024

Arthur Rimbaud, Cartas do Vidente.



     Eu quero ser poeta e trabalho para me tornar Visionário: isso o senhor não compreenderá de jeito nenhum, e eu dificilmente saberia lhe explicar. Trata-se de chegar ao desconhecido pelo desregramento completo de todos os sentidos. Os sofrimentos são enormes, mas é preciso ser forte, ter nascido poeta, e eu me reconheci poeta. Não é de forma alguma minha culpa. É incorreto dizer: Eu penso: deveríamos dizer pensam-me. — Desculpe pelo jogo de palavras. Eu é um outro. Uma pena para a madeira que se descobre violino, e às Favas os inconscientes, que tagarelam sobre o que ignoram completamente.

    Pois Eu é um outro. Se o bronze acorda clarim, ele não tem culpa alguma. Isto é evidente: eu assisto à eclosão do meu pensamento: eu a olho, eu a escuto: lanço o arco sobre as cordas: a sinfonia produz uma agitação nas profundezas ou vem de assalto sobre a cena. Se os velhos imbecis não tivessem encontrado o significado falso do Eu, não teríamos que varrer esses milhões de esqueletos que desde um tempo infinito acumularam produtos da sua inteligência tacanha, clamando-se autores!

    O primeiro estudo para o homem que quer ser poeta é seu próprio conhecimento, sem reservas; ele procura sua alma, ele a inspeciona, ele a tenta, ensina-lhe. A partir do momento que ele a conhece, deve cultivá-la; isso parece simples: em todo cérebro realiza-se um desenvolvimento natural: tantos egoístas se proclamam autores; há ainda outros que atribuem a si mesmos seu próprio progresso intelectual!

    O Poeta faz-se visionário por um longo, imenso e racional desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; ele busca a si mesmo, acaba-se em todos os venenos para guardar somente a quintessência. Inefável tortura na qual necessita de toda fé, de toda força sobre-humana, onde se torna, entre todos, o grande doente, o grande criminoso, o grande maldito — e o supremo Sábio! — Pois ele chega ao desconhecido! Visto que cultivou sua alma, já rica, mais do que a de qualquer outro! Ele chega ao desconhecido e quando, enlouquecido, acabaria por perder a inteligência de suas visões, ele as vê!

O poeta é verdadeiramente um ladrão de fogo. Ele é carregado de humanidade, dos animais mesmo; ele deverá sentir, apalpar, escutar suas invenções; se o que ele conta do além possui forma, ele dá forma, se é informe, ele dá o informe. 

    Encontrar uma língua; Essa língua será da alma para a alma, resumindo tudo, perfumes, sons, cores, ao pensamento se agarrando e desfazendo o pensamento. O poeta definiria a quantidade de desconhecido que em seu tempo desperta na alma universal.