sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Al Wahat

     Antes de existir a terra batizada por Shirah, o mundo era uma civilização mergulhada em uma tristeza e miséria profundas.

    O mundo, que outrora tivera florestas e rios, estava lentamente caminhando para não suportar mais vida humana. Os seres que ali viviam faziam qualquer coisa para sobreviver, mas estava claro que aquele mundo não tínha salvação.


    Foi então que Shirah chegou. Como um pastor de ovelhas, deu ordem e esperança. O próprio Deus da Vida vindo a um lugar tão caótico possibilitou que a vida se mantivesse ali.


   Shirah despertou na terra árida plantas que com o tempo deram origem a florestas. Ele deu vida aos rios secos, preenchendo-os com água.


   Shirah compôs o céu com dois deuses: Lior, o Deus do Sol e da Ordem, e Asra, Deusa da Lua e da Justiça.  


   A tríade de Deuses, Shirah, Deus primordial e da vida, Lior, Deus do Sol e da Ordem e Asra, Deusa da Lua e da Justiça, formaram o mundo de Al Wahat.


Os seus filhos passaram a habitar o mundo apocalíptico, os semideuses resultado da corpulação do trisal.

Aos seus filhos, o Deus Criador deu seu poder, dividindo-se em milhares de partes, cada filho possuindo um fragmento do Deus.


Shirah, portanto, era O Todo, enquanto seus filhos eram O Um neste todo.

Se o Destino existisse...



Eu fiquei me perguntando hoje.

E se não existir aquilo que chamam de destino?

E se nossas vidas não forem influenciadas por algo que estava escrito para acontecer?

Se não houvesse doença para justificar...

Nem mesmo questões espirituais ou místicas. 

O ser humano seria...

Simplesmente...

Aquilo que ele faz de si mesmo.


Isso é aterrorizante.

Pra mim.

Se eu não dependo de nada além de mim mesma.

Então, faço da minha vida um inferno, diariamente?

Se não posso dizer que há doença que justifique tal comportamento, então por que ainda continuo sendo a mesma pessoa?

É de algum modo impossível mudar ?

Por que seria?

Se apenas sou eu quem decido isso?

Ou será que...

É só eu que não faço nada.

Que vivo parada.

No mesmo lugar?

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Voidsona


Voidsona


                       Voidsona é a criação de uma versão de si mesmo "desumanizada". Você pode se expressar como quiser, criando essa criatura que pode ter ou não um corpo. Não há necessidade de se definir como uma coisa, mas sim de se expressar com essa criação. 

Fonte: https://www.reddit.com/r/voidpunk/comments/i3y5tr/what_is_a_voidsona_and_how_do_i_make_one/


 

 



    Blue bird ou Aoi, uma espécie de harpia misturada com características de outros animais como as raposas e cobras.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Ave azul - Aoi

Notas: poesia em construção.



Blue Bird|Ave azul (Aoi)



 Quero voar pelos céus


Por um céu azul


Com nuvens lindas


Na forma de uma ave azul. 



Flutuando entre o céu e o mar


Eu voo perto do criador


Hoje ele tentou falar comigo 


Nunca me senti tão pequena 


Tão mal


Nunca me senti mais humana


Que hoje.



Quando você chegar


Não terei medo,


Senhorita morte.



Quero esquecer


Que hoje fui mais humana 


Que nos outros dias.



Eu não quero ser...


Um animal que só continua pelos seus instintos 


Preciso que isso tenha um significado.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

A Caixa de Espelhos ( História original)

 O espelho – Capítulo I


– Está tudo bem... tudo bem...

Disse para si mesmo olhando seu reflexo distorcido nos espelhos.

– E-está... t-tudo... 

Chorando, ele repetia as palavras, gaguejando em uma ou outra. Suas mãos e pernas tremiam, envolvidas ao redor do corpo como um consolo para si mesmo. 

Respirava ofegante, segurando as lágrimas, desviava o olhar do espelho, pois tinha medo que se transformasse em outra coisa. Sua imagem no espelho era terrível: um garoto magro, quase esquelético e sem roupas, o cabelo raspado, a pele pálida, ao redor de outros espelhos numa caixa.

– Blue bird...

Ele começou a cantar, sussurrando com sua trêmula, uma música que ouvia as vezes na sala de espelhos. Era a única coisa que o distraía, o acalmava, e fazia parecer que mesmo numa situação tão horrível ainda valia a pena se manter acordado.

– Where you gonna go now?

Ele comia algumas partes da música que já não lembrava e cantava num tom baixo. Suas pernas paravam de tremer e logo ele tinha coragem para se olhar de novo no espelho.

Dessa vez, o reflexo parecia normal, era só um garoto pálido e magro, com dois olhos azuis ciano arregalados e vermelhos.

– *Suspiro* Ainda bem...  Que bom...

Ele ficou mais relaxado e tentou se deitar em forma de concha na caixa de espelhos. Ficou imóvel durante alguns minutos até escutar uma porta se abrir.

Sons de água e passos podiam ser escutados da caixa, além de uma música colocada num rádio, suave e melancólica. Ela chegou.

Ela veio para casa.

 O garoto ficou alegre e lágrimas escorreram de seus olhos. Ele fez o máximo de silêncio possível para abafar o choro crescente. A muito esperava pela sua mãe. Sabia que ela viria resgatá-lo, mas ele não podia sair.

Ela chamou pelo nome dele e suspirou quando não houve resposta. Dava para ouvir os passos que iam apressados pelo quarto, abrindo gavetas e portas, passos desesperados e inquietos.

– FINCH?

Ela gritava cada vez mais desesperada e aos poucos sua voz ficava mais fraca, longe, indo para outro lugar. 

– Ela veio... 

Finch disse ao espelho sussurrando e deu um sorriso sincero. Sua mente estava leve como uma pluma. Parece que tudo valeu a pena só por este momento. Saber que sua mãe estava bem e principalmente que ela procurou por ele, dava sentido ao que estava fazendo. 

Finch se deitou novamente na caixa e respirou aliviado. 


Rory Finch – Capítulo II


Finch acordou, supondo que deveria ser de manhã devido aos raios solares que entravam pelas frestas da caixa. Ele se sentou com cuidado para não bater a cabeça e revelar sua localização. Estava com muita fome. Dormir ajudava a esquecer a dor em sua barriga, mas sempre quando acordava ela voltava pior. Já faz 1 semana dentro da caixa de acordo com os riscos que ele fez a cada dia. A comida durou pouco e a água também. Ele bebia a própria urina para matar de sede, mas não sairia da caixa, não importa o quê.

Hoje, seu reflexo estava sorrindo e tinha os olhos completamente brancos. Finch fechou os olhos e ficou 30 minutos esperando para olhar novamente o espelho. Ele estava um pouco tonto, então resolveu se deitar para não cair.

O quarto provavelmente estava vazio hoje. Sua mãe já deve ter partido. Finch ficou brincando de criar histórias com os polegares. Elas sempre terminam de uma forma trágica.

Quando Finch ainda estava fora da caixa, costumava escrever muitas histórias e guardá-las num fichário. Desde pequeno, Finch era uma criança criativa, vivia no mundo da lua, desenhando monstros e escrevendo histórias macabras. Por outro lado, Finch era solitário, incompreendido. Ele era uma criança muito tímida, então não teve muitos amigos. Principalmente no seu ginasial, quando souberam que Finch sofria com esquizofrenia, poucas pessoas cogitavam em se aproximar.

Finch se sentia disperso, fora da realidade, como se sempre fosse um observador do mundo: “Ele era apenas o reflexo do espelho, sem um corpo físico.” 

Dentro da caixa de espelhos, era como se Finch estivesse morto. Ali era um outro universo, um outro plano, onde Rory Finch não existia.


https://youtu.be/B33J6ziCjGY



sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

" Minha querida Lizzy..."

 

* Opinião sobre o livro "Orgulho e preconceito" de Jane Austen. *


Lizzy foi de todas a minha personagem preferida neste livro. Ela dava respostas ainda melhores do que eu daria e era pra mim muito coerente em suas decisões. Personagens que afrontam outros dessa forma acabam por me cativar.

O senhor Darcy, confesso que não tinha grande empatia no começo, ele simplesmente era um elemento que seria usado em dado momento. Eu estava curiosa para saber como a Lizzy, que o odiava, começaria a gostar dele.

Quanto aos outros personagens, cumpriram perfeitamente seu papel. O senhor Collins foi tão chato e desagradável quanto deveria ser, a senhora Bennett foi totalmente tola e sentimental quanto as situações requeriam dela.


 Bingley para mim não foi um personagem tão desenvolvido em camadas quanto o senhor Darcy, mas consegui gostar dele e torcer para que Jane e ele ficassem juntos. 

Charlotte Lucas foi quase uma arma de chekhov, pois não a achava muito significativa para a trama, e eu estava redondamente enganada, pois tomei um tiro quando ela se casou com o senhor Collins. Para mim, talvez a família Lucas seja a que menos me interessa no livro.

A senhora Catherine também conseguiu me deixar com raiva e angústia com suas observações e personalidade. 

De resto, não irei me prolongar muito nos personagens. Achei suficientemente bons para suas funções.

A mensagem que o livro passa também é muito boa. Orgulho e preconceito, dois defeitos que atrapalham o amor, e me fizeram perceber que não devemos julgar o livro pela capa, mas sim pelo seu conteúdo.

É muito óbvia essa premissa, mas acabo por me esquecer dela e dar mais atenção a capa que o resto.

O livro pode ser lindo, mas se não for lido, entendido e amado, não será nada comparado àqueles que amamos, entendemos e admiramos.

O principal que desejo comentar é que este livro me deu outra visão sobre o que é amor. O amor não precisa ser a primeira vista, como aqueles em que duas pessoas se apaixonam ao retribuir um olhar, não precisa ser imediato nem devagar demais.

Acho que o amor, neste caso, é a admiração que uma pessoa tem pela outra com tempo, que geralmente não muda muito e só fica maior. O amor também pode ser influenciado em sentimentos bons como a gratidão, a admiração e o respeito.

Por isso, agradeço a Jane Austen por me fazer novamente uma romântica, mas dessa vez, uma romântica menos clichê.

De uma escritora fantasma,

Para Elizabeth.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Voltei dos mortos, meu leitor

 Este texto é sobre Ghost Town.


Dedico esta carta a Ofélia, senhora dos dois mundos.

< Narrador anônimo >

Estive em Ghost Town. É uma linda cidade. Linda e solitária... Não acha que seria bom ter pessoas morando lá? Seria ótimo, já que a cidade tem uma estrutura para moradia, com uns ajustes. Imagino que a senhora não queira ninguém lá, pois gosta de apreciar aquela única criatura que vaga perdida pelas ruas. Não sei porquê, mas sinto que ela está muito triste. Isso não é legal, Ofélia. Justamente você que deveria zelar pela felicidade dos seres deste mundo.


Sinto-me indignado ao pensar que aquela pobre criatura viveu ali sozinha por anos. Ela não tem amigos, nem uma família. Caso ela queira viver em sociedade será pior que um animal.


Então, por favor... Salve. Salve a tulipa azul.


Assinado, por anônimo. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

| Fear |

 É sempre cansativo interagir. Sempre que o faço, digo que bati minha cota, já que não costumo me comunicar. Eu tenho um motivo simples para isso. Eu não sei me comunicar. Minhas habilidades são como as de uma criança tímida, que acaba se escondendo atrás dos pais e evitando o contato com o meio social. No meu caso, criei uma personalidade reservada e solitária, que não precisa interagir com ninguém a menos que deseje. 


É reconfortante pra mim a solidão, mas machuca. Eu me pergunto por que. Dói estar sozinha e é chato. As vezes fica monótono. Eu me pergunto se deveria interagir mais. 


Eu parei de tentar porque tenho medo. Muito medo. As pessoas são como gigantes extraordinários que impõem medo e respeito. Elas têm mais valor que eu. Pra mim, sempre sou um personagem sem muita importância. Eu estou sentada num banco qualquer, lendo um livro. Alguém olha pra mim e diz: ah, é só uma garota lendo um livro. Mas, na minha mente, milhares de pensamentos paranóicos surgem. Estou ansiosa, meus olhos procuram abrigo nas letras que perderam sentido. Eu tento fingir que não ligo, mas eu ligo sim. Eu  me importo. Mesmo que tente transparecer que não.  Eu me importo muito com o que pensam de mim e o que eu poderia melhorar. Mas, termina da mesma forma toda vez. Alguns pensamentos negativos, meu complexo de inferioridade, paranóias e dor.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

A história do Robert

 Robert VI



Robert desistiu.

Ele percebeu que de nada valia viver.

Ninguém estava lá para lhe dizer que ficaria tudo bem.

Se lembrava da sua formatura do colegial, aos 18 anos.

Suas bochechas naturalmente rosadas crespitavam como a lenha aquecida.

Seus olhos azuis, ainda vivos, olhavam ao redor.

Evitavam a câmera e a mulher sorridente que lhe escoltava.

Sempre chorava quando ela ia embora pra estrada. 

Deixando o pequeno Roby sozinho, como a deriva no mar.

Em suas memórias, aquela mulher sorridente era a melhor de todas elas.

Ela sempre estava sorrindo, alegrando o coração do pequeno Roby, mesmo em dias ruins...

Mas, ela não estava lá o tempo todo para lhe dizer...

... Que ficaria tudo bem.

Porque ela não tinha o mesmo sangue que ele, mas era tudo o que ele precisava.

Quando Roby a perdeu, seu coração ficou triste e endurecido. 

Seus olhos ganharam uma expressão morta.

Mas suas bochechas ainda permaneciam rosadas naturalmente.