quinta-feira, 28 de setembro de 2023

A arte não precisa de palavras

Notas:


Texto antigo que esqueci de postar, pensando que eu teria alguma coisa a acrescentar nele. 


A arte não precisa de palavras.

Monocromática.

Não é apenas mais um único tom.

A arte não precisa de definição. 

Ela é uma para cada um.


Escrevo, canto, desenho, danço

A arte não precisa de palavras.

Ela é livre.

Pra ser o que quiser ser.


A arte pra mim é um passarinho. 

Livre, feliz e triste. 

Insatisfeito, angustiado.

Ela é um bando de coisas boas e ruins.

Que me completa.


Enquanto eu tiver a arte, nunca estarei perdida.

Porque sempre vou encontrar o caminho outra vez.

Quando eu precisar de um.



quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Liberdade é NÃO SENTIR MEDO.

 

Não sentir medo.


Eu já não me lembro mais como é.

É como fumar um cigarro por conta própria?

Sem pensar ?


É um licor que, como uma droga, vicia e não te faz bem nenhum?

A sensação deve ser boa.

Você vai se sentir como quem sente a maior alegria e a maior tristeza do mundo.

Porque não é tão simples assim.

Liberdade é...


Lidar com o medo.


Mesmo quando é tão devastador.

E te deixa sem respirar.

Mesmo quando é o mesmo que assumir a morte.

Quando se quer viver.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Vivo ou morto?



Espero que o alívio dessa escrita me deixe mais leve.

Bom, eu tenho 19 anos atualmente, curso letras/literatura na UFRJ. Tenho poucos amigos, no máximo um amigo próximo para conversar e um medo extremo do mundo, das pessoas e de situações...

Não importa quem eu sou.

Ultimamente, vejo algum progresso nessa parte do medo de tudo, mas eu consigo imaginar que seja...

Não importa quem eu fui.

Até o ensino médio, mesmo quando eu fiz amizades, eu passei o maior tempo da minha vida na minha mente, sem pessoas.

Nada importa.

medrosa, fraca e insegura


Algo que nunca quis ser. 
Veio a mim e eu aceitei. 

não reclamei nem tentei mais nada. Disse
está tudo bem, algum dia vou ter o que eu desejo.

Isso não pode
 me
 definir 
pra 
sempre

Está tudo bem
não decepcione ninguém 

Tudo err
ado em mi
m

Algo que vou atuar na vida por tanto tempo sem amor?
 
Eu devo ser uma pessoa que não serve pra isso.

Eu queria poder voar até o ponto mais alto do mundo e cair, despencar.

Queria me ferir pra entender o que realmente é estar vivo.

Quero estar vivo.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Parei de escrever e de pensar

 O que é mais relevante pra você?

Uma merda de um texto fútil ou um contexto social atual em que você pode estar inserido?

Bom, que pena que você escolheu o texto fútil que não vai acrescentar em nada na sua vida. Amanhã, de novo, você nem deve mais lembrar que leu algo do gênero.

Pra mim é diferente. Sou eu quem escrevo. Eu escrevia. É preocupante. Parei de pensar. Escrever. Parei. Total.

Sabe o que eu escrevo agora?

Textos periódicos, duas vezes ou três no mês. Isso significa que parei de me expressar, de pensar e de respirar.

Tudo isso pareceu irrelevante.

Textos, textos, mais textos.

Ninguém se importa.

Eu me importo.

Eu sei.

Que você talvez se importe.

Mas e aí?

O que aconteceu?

Com a minha mente de plástico?

Eu deveria ser ...

Apenas.

O ser estranho que eu sou.

Fingir que não sou assim.

É apagar a minha própria existência. 

Já aconteceu.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

**Ser-especial**

 Especial 

Palavra que significa o mesmo que: próprios, notáveis, exclusivos, particulares, peculiares, privativos, reservados, singulares.

Especial?

Pessoa ou objeto que tem um valor único em todo o universo que o difere de todo o resto.

É relativo.

Se você é especial, então para a maior parte do mundo você não passa de um pedaço de merda.

Me pergunto: por que desejar ser especial?

É uma necessidade humana?

Um remédio para crises existenciais?

Ou um alimento para o ego fraco?

Ser especial...

É apenas uma doce mentira.

Que contamos a nós mesmos.

Quando queremos nos sentir suficientes e melhores.

Sinto muito.


Você não é especial.


Ninguém é.


Somos como todos os outros animais que nasceram.

Não tem que ser diferente porque somos humanos.


sábado, 22 de julho de 2023

Quarto cinza

 Achei esse texto no pc do nada e me pareceu que estava incompleto.

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É um quarto cinza

Uma nuvem branca flutua no ar

Raios solares entram pelas brechas das janelas

E no meio

Uma garota está sentada

Abraçando o seu corpo com as duas mãos

 

É um dia frio

E o quarto é abafado

A roupa dela é fina demais

Como a roupa de um fantasma

Branca e de seda

 

A nuvem paira sob a cabeça da menina

As gotas não caem

É um ambiente seco

Seus olhos estão abaixados

É um olhar melancólico

O olhar de uma criança

 

Não tem lágrimas

Só sente frio

Quer chorar e não pode

O quarto cinza é muito cruel

 

Todos foram embora

Ela ficou sozinha

Mas não tem lágrimas

Neste quarto cinza

 

É uma tarde pacata

As mães assam bolos de chocolate

E sorriem perto da lareira aquecida

 

É um dia triste

Ninguém veio visita-la

A única coisa que lhe resta

É ficar

 

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Uma vez, tive um sonho.

 Uma vez, tive um sonho.

Em que eu acordava e via um lugar de luz.

Iluminando-me de falsas esperanças.


Sonhei que...

Naquele dia luminoso

Experimentei ter o conhecimento de toda a verdade do mundo.

Quis saber, por meio de uma fada, até que ponto eu me separava de Deus naquele momento e ela me disse:

"Você nunca poderia ser Deus."

Então eu me abaixei, lentamente, em câmera lenta e abracei meu corpo no intuito de me proteger daquela verdade absoluta.

A Harpia dos Ventos do Sul


Esse conto faz parte do universo de uma história que eu queria escrever.

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Era mais um dia no complexo industrial. Aquele lugar fervia com suas fábricas despejando fumaça no céu, até o ponto de se formar neblina acima das construções.

As colinas e montanhas escuras, hoje, estavam quase totalmente escondidas pela fumaça. O céu em vermelho estava como sempre — o mesmo tom de todos os dias. Já o sol negro pairava no céu, desta vez bem no centro, marcando 12:00 em ponto.

As ruas estavam lotadas nesse horário, várias criaturas com rabos, chifres, orelhas de animais e até animais de grande porte andavam pelos becos. Era um ritmo constante, indo e vindo, entrando e saindo das construções.

Num ponto alto de um arranha céu, uma harpia de penas azuis olhava a cidade. Seus olhos de raposa no tom de azul ciano observavam demoradamente o movimento das criaturas. Sua postura era ereta, as pernas cruzadas e as mãos soltas ao longo do corpo. A criatura andou devagar com umas das patas até a borda. Seu corpo estava tão próximo da beirada que bastava um passo até que caísse. Ela suspirou e sorriu de canto, fechou os olhos e virou-se de costas. Um único impulso foi o bastante para que seu corpo caísse como uma pedra.

O vento batia em suas asas tão forte que arrancava algumas de suas penas. O rosto dela se contorcia num sorriso torto. Lágrimas escorregavam dos olhos e as mãos protegiam o rosto.

Quanto mais próximo ficava do solo, seu comportamento compulsivo ficava pior.

Arranhava o rosto, seu corpo, na tentativa de que aquela dor a mantivesse lúcida sobre sua condição de viva. Aquela dor só era sentida enquanto ainda não havia chegado ao solo. Aquela dor era tudo que tinha, no seu fim.

Perto do fim, a harpia olhou o céu. O céu vermelho lhe trouxe a sensação de que teria paz, pois não o veria nunca mais, nem em seus mais horríveis pesadelos. Olhou uma última vez o sol, pairando no centro, como um grande olho. Viu, uma última vez, aquelas montanhas negras que se erguiam e a prediam, como numa gaiola.

Montanhas que não deveria ver nunca mais.

Quando chegou ao solo, seu sangue escarlate refletiu o céu na mesma cor.

A queda foi agonizante, não morreu na mesma hora, ainda viu os demônios se juntando ao seu redor.

Fechou os olhos, pois, a dor que sentia era a pior da sua vida, mas não tinha medo. Deveria continuar ali, morrendo aos poucos até não ser mais capaz de sentir dor alguma.


sábado, 8 de julho de 2023

Recomendações de leitura para Julho de 2056

Olá, meus leitores. Quero recomendar duas leituras. Como sempre leio antes de recomendar, obviamente, essas leituras são as que fiz mais recentemente. A primeira é da amável Clarice Lispector.  Eu confesso que quando li o começo de algumas obras dela achei que as pessoas a bajulavam demais, porém nessa leitura recente vi que ela escreve de um jeito que toca a alma. É impressionante, mas também preciso conhecer mais da autora. A obra que li dela recentemente é um conto que faz parte da coletânea de contos "Legião Estrangeira" chamado " os desastres de Sofia". Esse conto é uma viagem e uma overdose de imagens que formam quase um filme na nossa mente. As descrições são tão bem feitas e poéticas ao mesmo tempo. Jamais tinha presenciado esse tipo de escrita e eu fiquei pasma com o quanto eu pude mergulhar nessa história e me imaginar como a protagonista em cada pequeno detalhe das cenas. Dito isto, se você quer viajar um pouco e sair da realidade é uma boa ideia.

O segundo se trata do clássico poema do Poe "O Corvo". Na primeira vez que li também subestimei esse escritor. Achei meio chato e sem sentido, mas lendo em voz alta, entendendo o que quer dizer e analisando o som desse poema, é impressionante como eu não me apaixonei a primeira vista por ele. É um poema triste e talvez seja da estética gótica do Romantismo, mas mesmo assim vale muito a pena ler (não é só depressão e caras sendo idealistas). Ler e sentir cada verso desse poema é como atuar numa peça sozinho, mas não, não é triste. É divino.

Avisando o aviso sem qualquer relevância

 Bemmm, meus leitores, tenho uma notícia que é muito improvável de se concretizar ( mas vai que né...): talvez eu faça um canal no YouTube para recitar poemas. Sim, eu sei, é mt gay, mas eu gosto de passar vergonha aparentemente. Estava lendo " O corvo" do Poe hoje e achei muito interessante fazer uma leitura dramática, dando ênfase às emoções do eu lírico. Já vi alguns senhores recitando poemas e acho extremamente bonito a forma como fica. Parece uma música, mas uma música que eu posso cantar e não me preocupar com a afinação. Enfim, se eu fizer dou um jeito de divulgar essa futura atrocidade.

Até maisss.

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Ó-p-i-o

Vivo correndo e parando. Bruscamente.

Como um carro numa rodovia.

Não tem mais estradas retas e lineares.

Apenas labirintos escuros.

Não existe mais luz do sol.

Estamos em um eclipse eterno.

Quando que o vento e o sol vão voltar?

A alegria, a calma, sem tempestades?

Quando que o inverno vai embora?

E o calor, a chuva e as flores voltam a brilhar?

Quando que eu vou poder sorrir de novo?

Tão naturalmente quanto o ato de respirar?

Quando vou poder observar o mar, suas ondas quebrando, até o infinito, no horizonte...?

Quando vou poder desenhar e escrever como fazia antes?

Quando vou poder viver de novo?