domingo, 26 de abril de 2026
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Amargor
Como o café
Que eu tomo todo dia
É amargo, preto
Sem vida
Eu bebo porque fui acostumada
Bebi, bebi tanto
Que acostumei com o amargor dele
Café mancha os dentes
Mesmo assim, eu tomo
E não me importo
Café é forte,
Tem um cheiro tão bom
Com açúcar fica doce
Mas eu tomo sem
Porque quero sentir o amargor
Na minha boca todos os dias
Pra me lembrar que minha vida
É como Café
Tomo ele todos os dias,
Porque me acostumei
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Buraco sem fundo
Eu estava tentando sair dele...
Desse, buraco sem fundo
Ao qual estive presa
Buraco sem fundo,
Que triste história
Eu preciso contar, hoje?
Cai nele faz bastante tempo
Tentei escalar
Voar
Saltar
Pular
Mesmo assim, só continuo caindo
Sempre caindo
Nesse buraco sem fundo
Ah, quando eu era pequena
Me lembro
Desse lugar escuro
Ao qual estive presa
Nao conseguia sair
Mais eu tentava, mais fundo ficava
Hoje, nem vejo mais a luz
Tudo é escuro
Frio
E mórbido
Que sensação estranha
De desespero
E tristeza
Que eu sinto quando não vejo a luz lá fora
Como desejei ver
O exterior do buraco
Como desejei sair e finalmente andar
Mas sei que, quando sair
Provavelmente morrerei
A única coisa que sei
Está nesse buraco sem fundo
terça-feira, 3 de março de 2026
Bonequinha de vidro
Era uma vez, uma pequena boneca de vidro
Ela enfeitava a estante de livros
Tão quietinha e intocável
Essa boneca tinha um sonho: o dia em que poderia falar, cantar, dançar
Queria sair da estante
Andar pela casa
Conhecer outras bonecas como ela
E também as outras coisas que ela nunca pode ver
Mas ela tinha sido quebrada
Em um ponto tão crucial
Quando parada, as rachaduras não ameaçam romper
Mas em qualquer passo
O vidro todo se racharia
Em mil pedacinhos
Nunca mais ela seria
A bonequinha intocável de vidro
Que enfeita a estante
Que nada diz
Que não se move nem dança nem canta
Nem sonha
Simplesmente existe
As vezes queria quebrar-se em mil pedacinhos.
Mestre, eu juro que não sei.
Meu mestre, grande Mestre
Jesus Cristo
Deus
Jeová
E os seus infinitos nomes
Eu sei que o Senhor sabe
que eu sou uma hipócrita.
Mestre, Senhor da minha vida
Tu és o meu único professor nessa vida
Aquele que com toda certeza quer o meu melhor
Preciso confessar
Que sou uma cristã hipócrita
Há alguns anos atrás, eu tinha saído da igreja
Mas já fazia muito tempo que eu não tinha mais Deus como o meu Senhor
Mesmo quando eu ia a igreja
Então, eu de repente me aproximei de novo do Senhor
Por causa de amizades boas que fiz na faculdade
E porque senti que precisava do Senhor para vencer alguns vícios da alma e do caráter
Bem, eu venci graças ao Senhor e te agradeço, Deus
Muito obrigada
Hoje estou livre da pornografia e minha mente não é mais a mesma de antes
Aqueles pensamentos terríveis e desumanos sumiram desde que eu deixei esse vício graças ao Senhor
Porém, hoje em dia
Por mais que eu vá a igreja e esteja frequentemente me esforçando para fazer a obra de Deus
No meu coração, ainda existe uma falta de obediência e temor pelo Senhor, meu pai
Sou uma cristã hipócrita porque digo coisas que não pratico
Porque estou lá, sentada numa cadeira, parecendo uma santa, quando tenho uma infinidade de pecados nas minhas costas
Quando abro minha boca e canto para o Senhor me sinto indigna
Indigna de cantar para o Senhor, porque sei que louvar é um dom teu e por isso sinto que não mereço receber um
Me sinto indigna até mesmo do seu amor por mim, Deus
Por que não me abandonastes?
Sou um daqueles casos sem solução, não sou?
Uma pessoa que dizem ser uma profeta veio a mim e me disse que eu seria usada para louvar a Deus
Mas não entendo se foi apenas um episódio louco e histérico de uma pessoa que tem muita fé
Ou se era o Senhor falando comigo
Mas se for o Senhor, então lhe respondo que eu desejo isso
Mas somente quando eu estiver limpa e digna de louvar na tua casa
Eu estou com as mãos sujas
Preciso limpar minhas mãos
E meu coração finalmente poderá se sentir leve
Porque ai sim eu serei uma cristã digna do significado dessa palavra
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Escolha
Existem momentos na vida de uma pessoa
Que definem o trajeto
E são muito importantes
Eu estou como em uma avenida
Tem algumas direções
Não sei qual tomar
Mas estou andando, continuamente para uma dessas direções
Não sei se penso pouco ou demais
E talvez seja por isso que eu só continuo me movendo
Eu me movo pensando
Pensando
Sem acreditar em mais nada
Das coisas que eu costumava acreditar
Deus, por que eu não paro no meio da avenida
E simplesmente me jogo na estrada e me desespero
E choro
E corro
tudo
Meu Deus, por que eu simplesmente nao perco o controle?
Por que nao sou capaz de expressar
Os meus sentimentos mais profundos?
De pavor, desespero e tristeza?
A mágoa que me preenche nessa estrada
Mas só consigo andar
Não me descontrolo
Não choro
Eu nem sequer entendo porque continuo
Mas continuo
Numa estrada que eu definitivamente sei para onde irei
Mas nao entendo o motivo de estar nela
As vezes penso,
Que sou burra demais
Imatura demais
Para correr em outra direção
sábado, 14 de fevereiro de 2026
LINDSEY, Marigold. [ o conto dos pássaros]
Existia uma história que eu costumava ouvir quando pequena, antes de dormir, sobre dois pássaros. Um desses pássaros, que era azul, tinha medo de sair do ninho, porque era alto demais e não sabia voar. O outro, da cor vermelha, enquanto isso, já tinha se jogado inúmeras vezes e tinha aprendido a voar, explorando todos os cantos do mundo. O pássaro azul sonhava em voar mundo afora como o vermelho, mas tinha tanto medo de se machucar que continuava no ninho. Um dia, o pássaro vermelho voou para longe e nunca mais voltou. O azul, sem notícias dele, desesperou-se e se jogou finalmente do ninho. Quando saltou, suas asas tão breve se mexeram e assim aprendeu a voar, mas seu único amigo, o pássaro vermelho, morreu bem perto das raízes da árvore, e ele, tão fraco pela falta de alimento, morreu ao seu lado.
No final, eu não entendia muito a mensagem dessa história aterrorizante, pois eu pensava, afinal, qual dos dois pássaros era o mais sensato, se no final, ambos teriam destinos iguais? De certa forma, nenhum deles parecia estar certo, mas aquele que eu mais me identificava era com o pássaro azul.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Silver soul
O meu céu é prata
Você vai ver
Vai ver o meu céu prateado?
Eu posso ver as estrelas
E o mar
As nuvens distantes
A chuva que cai sem aviso?
Numa noite absolutamente solitária
Eu posso?
Posso ir ver o mar?
E sujar meus pés com a areia branca
E depois andar sem rumo na praia?
Posso andar até mais longe?
Perto daquele farol
E então, pela primeira vez ver o pôr do sol
Ou já é tarde demais?
E se eu for lá
E entrar dentro da água tranquila
Eu preciso voltar?
Ou posso nadar até alcançar o sol no horizonte?
Ah, eu vi os céus
Eu vi os céus
Eu vi o mar
Eu vi o mar
Mas eu nao vi
eu mesma no reflexo das ondas
Eu nao me vi lá
Será que eu
De alguma forma
Nunca estive aqui?
Ah, Deus
Eu queria muito
Entrar no mar
E ir até o fundo
Depois voltar
E ver o por do sol
Daquele lugar tão bonito
Eu queria que fosse especial
Você sabe como eu sou, nao é, meu Deus?
Eu sempre estou buscando
Mas talvez eu devesse só esperar
E ver o que o Senhor preparou para mim
Porque sei que
O Senhor está cuidando de mim
sábado, 10 de janeiro de 2026
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
Doença da alma
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
O som que eu quero escutar toda a minha vida...
Silêncio
Tudo está calmo
Tranquilo
Eu viajo no ônibus
Olhando a natureza, as pessoas
O meu próprio reflexo distorcido na janela
Quando olho para o lado, ele está lá
Não fala muita coisa, olha o celular de vez em quando e também a janela
Eu escuto as vozes das pessoas
Lembro de como eu sempre conversava com a minha amiga nessas viagens
Eu não me atrevia a abrir minha boca
Para que?
Minhas palavras são como vento
São como o sussurro de um pássaro
Não tem importância
Não fazem nem som nos ouvidos dele
Antes, quando eu tentava conversar
Ia percebendo que quanto mais me esforçava, menos ele falava
Então tentei falar menos
Mas então ele também parou de falar
E os dois entraram em silêncio
Acho que, sinceramente
Quando estamos em qualquer lugar que nao seja o quarto dele
Eu sou como a sombra dele
Ele sabe que eu estou ali
Mas ele simplesmente nao olha para a própria sombra
E é como se eu nem existisse
Eu nunca me senti tão sozinha e triste do lado de uma pessoa
Qualquer coisa
Até o vento ou uma formiga é mais interessante do que eu
Antes, não era assim com frequência
O celular aparecia uma vez ou outro
Agora é o tempo todo
E eu estou ali
Bem na frente dele
Com os olhos cheios de tristeza
Ele percebe, mas
Não se importa o suficiente
Ou tem preguiça de perguntar
Porque não se importa
De fato, é isso
Carrego tanta dor no meu peito
As vezes acho que vou morrer se não me expressar
Alguns amigos dele nem me cumprimentam
Eu sou tipo um fantasma
Não tenho nome, nao existo
Eu sou o fantasma dele
Que ele esconde
E só quer ver de noite
Quando ninguém mais pode ver
Quando eu estou mal
Com dor de cabeça ou cansada
Ele faz a dor passar
Ele me dá um remédio, faz uma massagem
E entao a dor passa
Mas existe uma dor
Que ele talvez nunca vá conseguir tirar de mim