domingo, 23 de fevereiro de 2020

Trecho do história ;" Demônio azul”

“Começou a chover do nada, estava frio, mais do que o normal. Alef fechou as cortinas e ficou no jardim. O jardim tinha uma cobertura de vidro recoberta por um plástico. As plantas adoravam a água que caía nelas quando chovia, através de um sistema de irrigação. Raios caíam e a chuva aumentava. O mágico continuava no jardim, observando a forma com que a natureza se encarregava de manter suas crias. O vento era o mensageiro, levava a chuva para todos os lugares. A chuva era o mantimento, que seria descarregado pelos céus na terra. Já os raios... bem. . diziam que era a cólera de Zeus, mas se eles tivessem uma função na natureza essa seria... O balanceamento? Significaria as discórdias, as contradições? Nem mesmo um mágico saberia responder a isso. Alef voltou para a casa, trazendo o vaso da Tulipa. Deixava ele na mesa da cozinha normalmente, mas preferiu que dessa vez ficasse na janela. A solidão nunca foi um problema para Alef. Ele viveu sozinho por muitos anos, ou melhor, viveu acompanhado de flores. Infelizmente estas não podiam falar. Mas quando estava acompanhado por Akemi, os dias pareciam mais longos, mais interessantes, melhores... Sim, tudo ficava mais vibrante e bonito nesses dias. Os dias em que ela estava do seu lado. Agora que ela não estava, as flores perdiam suas cores, o tempo passava muito devagar, devagar demais e a chuva era uma tortura.
   Alef estava cansado, decidiu dormir antes de a noite chegar. Tomou uma pílula para dormir e caiu. No dia seguinte estava anestesiado por casa do remédio, então achou que sonhava. Ouviu o familiar som do portão quando aberto, e então passos cuidadosos.
  A porta rangeu e sentiu a essência de flores da primavera.O mágico olhou de mais perto,  apenas para ter certeza de que aquilo não era um sonho. Nem uma outra realidade, mas isso ele não podia saber. Mas e se fosse apenas uma ilusão que sua mente criara?  Akemi estava na porta olhando os seus sapatos, com um ar distraído e seu jeito infantil. A sua ilusão era linda, mas não era real. Suas memórias voltaram. Alef agora lembra-se de sua origem e sabe que o seu único propósito na vida é trazer o caos. Isso ele estava fazendo sem perceber. Ele decidiu que se esta era sua única utilidade tentaria fazê-la antes de se encontrar com Akemi no outro mundo. O mágico estava determinado a espalhar sua essência caótica.”
Sugestão de livros:

- Akira (todas as edições/ mangá de 1988/Katsuhiro Otomo)
- Black hole ( é mais um HQ do que mangá/Charles Burns)
- Convite para um assassinato (Agatha Christie)
- O diário de Anne frank ( Otto Frank)
- As cronicas de Nárnia  ( C.S. Lewis )

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Olhando o céu azul marinho me deparo com milhares de estrelas. Estão agrupadas, outras separadas, sem ordem ou padrão. São espontâneas e livres no céu.

A chuva caí, minha roupa está molhada... E ainda olho as estrelas. Tão distantes . Separadas ou juntas, não importa. São tão belas e brilham tanto. A chuva , porém, ressoa em cadeias .  Cada período parece infinito. E tudo o que eu sei se torna inútil. A vida é realmente uma ponte, na qual todos nós nos aventuramos. Prestes a cair, o vento me leva a um horizonte. A paisagem ao redor da ponte. Mantenho-me  firme enquanto caminho,   o meu objetivo sempre foi não escorregar. Mas, a beleza ao meu redor era tão clara. Por que eu nunca tirei meus olhos dessa linha reta?
| Mundo escuro _ Diário de um fantasma |

O meu mundo é cinzento. Vazio por toda parte. Venta forte, mas não há ninguém para sentir isso.  Os cachorros negros que passaram pela rua morreram de fome e frio. Os pássaros continuam voando em círculos, caindo quando se cansam . A solidão me acompanha em qualquer lugar. Eu nunca tive alguém para dizer um "bom dia".

(...)
Robert  — o rato (Todas as edições)


Robert ||

Robert caminha pelos becos escuros todas as noites, ele diz que a noite pode experimentar a solidão e o silêncio. De dia ele vive trancado dentro de casa — no sótão — fazendo experiências. Aos finais de semana vai ao consultório do Dr. Mindless, um psiquiatra e psicólogo. Toma seus remédios regularmente, mas não parece resolver.

Robert tem medo da sua própria sombra projetada nas paredes e no chão coberto pelo orvalho. Pensa que são demônios enviados para roubar sua mente. Eles sussurram coisas durante a noite, coisas que ninguém sabe, e mesmo que ele goste do silêncio absoluto, parece divertir-se ao contar sobre.

Robert não gosta muito de socializar. É antissocial desde que se conhece por gente. Ele também não trabalha, pois afirma que seus colegas de trabalho o manipularam.

Robert usa um casaco preto e luvas, seu rosto é rígido ilustrando uma expressão morta. A caraterística mais marcante dele são suas bochechas rosadas naturalmente. Ele não parece gostar de se vestir já que não compra muitas roupas.

Tudo o que sei sobre ele ao longo de 7 anos é muito escasso. Ele não gosta de minha companhia, sempre diz estar ocupado.

Aparições

Um dia Roby contou-me uma narrativa interessante sobre suas visões. Ele dissera que enquanto tomava banho sentia que algo o observava dentro do espelho. Como se fosse uma outra pessoa. Então, quando se sentia vigiado saía corajosamente do chuveiro e olhava a imagem. O que ele vira ninguém sabe. A história sempre termina nessa parte.

Ele é como um corvo esperando por uma vítima.

Robert parece estar cansado sempre. Nunca deixa brechas para eu interferir. Ele sofre com vários transtornos mentais, os quais ninguém sabe. Parece um caso sigiloso.

Robert mora no apartamento 1116, ele sai na rua às vezes para caçar, enquanto que no seu apartamento encontram-se diversos tipos de espécies animais.

Oh, pobre Robert ... Tenho pena desse ratinho. Ele perdeu a sanidade depois que seus pais morreram de um jeito horrível. Pendurados de cabeça para baixo, sem os órgãos e muito sangue no chão. Ele disse que fora a imagem mais marcante de sua vida porque era bela. A morte é bela para Robert, e desde aquele dia, o menino Roby está criando seus planos de fuga e suas estratégias para agarrar suas presas.
Robert nunca amou ninguém, nem a si próprio.


--------------------------------------------------------------

Robert  ||

Robert acordou cansado, com os pés inchados e dor nas costas. Ele já está ficando velho, e como qualquer outro, a idade vai dar-lhe as terríveis consequências. A geladeira ainda está vazia, juntamente ao seu estômago vazio. As vezes ele levanta cedo e tenta catar algumas coisas nas ruas para vender no ferro velho, mas quando consegue comida usa para capturar moscas. Ele tem várias delas, uma verdadeira coleção de moscas,pardais, cachorros e gatos. Sempre disse amar animais desde o começo do trabalho na firma, o que não durou muito tempo, pois sua saúde e personalidade não mudavam para o seu bel prazer. Quando podia o visitava e ele nunca agradecia ou dirigia uma palavra qualquer. Mesmo em dias difíceis eu tentava levar a refeição que o faria aguentar o enorme peso que a vida lhe impôs. Eu podia sacrificar até mesmo minha vida pela dele, ainda assim não teria nada a me dizer... Robert é um homem confuso. Especialmente quando se trata de amor. Quando lhe perguntei se ele amara alguém em sua infância, respondeu:

— Eu sempre amei a bela imagem refletida no espelho. Sou apaixonado pelo meu espelho!?

Indagando a respeito disso chegou a conclusão de que nunca amou alguém, em exceção de si próprio. Disse ainda que a sua mãe era muito feia e não podia ser amada.

--------------------------------------------------------------

Robert |||

Ele olha pela janela fechada, admirando suas presas, tecendo sua teia... Como uma aranha.
A teia alimentar que surge, ressurge no meio da cadeia.
Em meio as grades da cela, procura  uma sepultura que o levaria a sua real casa.
Cava um buraco aos poucos e vê o quanto é difícil fugir do destino.
Cada vez que vai no tribunal do júri, seus olhos queimam de raiva, porque lá está ele. Sentado no meio da sala, no seu trono, com óculos e olhando as folhas repletas de regras.
O juiz diz : Chegou a sua hora.
Mas Robert o refuta: Quando eu morrer pode dizer isso.
Todas as almas, atormentadas, livres e inocentes gritam: liberem o demônio! Deixem que ele termine o que o criador fez. Liberem-o! Já!
A verdade é que o demônio já está sem as algemas a muito tempo. Ele foi esperto demais para pensar em trair seu melhor boneco. Um de carne, porque os de pano são chatos.

Robert pode ter sérios problemas, mas este é só um deles. Apenas um.
O segundo é que ele não sabe o por que está vivo.
O terceiro é o fato dele estar na cadeia.
O quarto o fato de que ele não parece disposto a entender a si mesmo.
Já o último é que ele é um completo louco. Mas esse é o menor deles.

--------------------

Robert IV

As nuvens maciças, o ar pesado, estreitando de noite, na rua fria que dispensa pesares. A luz piscante do poste sem vida, atenuando as sombras que se projetam no asfalto.

Roby caminha.

Com sua voluptuosa sombra. Com seus frios olhos, sua impetuosa maldade e sua máscara de homem louco.

Robert não é louco. Ele sabe exatamente o que faz, procura a sua escuridão interna e adora isto.

Ele sabe o que faz quando está matando uma ovelhinha. Quando está caçando em áreas nos confins do mundo. Sim, ele sabe. Ele sempre soube.

--------
Robert V

Robert não sabe para onde ir.
Ele está ativo na estrada.
Com o seu carro verde limão.
Parado no semáforo.
Esperando que alguém passe e  veja.
Que ele está mais perdido do que antes.
Ele está fugindo pela primeira vez em uma vida.
Fugindo do inevitável, das consequências de seus atos.
Ele parece uma criança num parque qualquer, procurando os pais, com dois cachorros quentes nas mãos e um olhar perdido.
Ele nunca foi assim
Sempre entendeu que o que ele fazia resultaria em algo.
Ele sabia disso.
Ele só não queria acreditar nisso.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

|Rabisco|


Eu não sou nenhum fiasco , um fracassado, desesperado.
Não tenho medo, não tenho receios, nem tenho amor.
Eu não sou aquilo que tu acredita.
Não sou o teu deus grego ou um príncipe nefasto.
Sou apenas eu.
Mas eu..
Sou um grande buraco, daqueles que se encontra no cemitério.
Não tão longe do diabo, onde seu pai foi enterrado.
Não sois aquele teu boneco que tu manipula e molda como bem quer.
Não! Eu sou um tripulante de um navio distante que parte para o além.

Eu sou apenas uma mancha, meio apagada, desfigurada, na mesa da escola. Algo que ninguém lembra.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Sugestão de leitura

- Hora zero (Agatha Christie)
- As valquírias (Paulo Coelho)
- Drácula  (Bram Stoker)
- Coraline (Neil Gaiman)
(OBS: ESQUECI DE FALAR DOS MANGÁS ;-;)


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

| Cavaleiro errante |

Senhora... Permita-me, por favor. A observar tua beleza fria, minha senhora, meu coração se acalma apenas ao olhar em teus olhos: tão lindos... Tão tristes, e indiferentes... Bela, bela madrugada. Me diga, senhora, quando vai aparecer outra vez? Abra ou feche as portas bruscamente. Mande-me um sinal, nem que este seja um dilúvio, um desastre natural. Morrerei feliz em saber que me reconhece.

Meu fantasma permanecerá a observar sua beleza fria. Ah, Senhora ! Tu não sabes o quão perto está de uma divindade. Ou talvez, tu sejas a MINHA deusa. A deusa que clareia minhas órbitas oculares já desgastadas.

(....)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

| Demônios |

Ela acordou no sábado chuvoso de uma quinta feira, mas na verdade era a sexta. A sexta vez que ela acordara, na madrugada fria , e sem tato, apunhalou seu sono. Enquanto, aqueles homens a mandavam dormir, seus olhos se recusavam. E no sábado de noite ela dormiu, pela primeira vez em anos, e foi para casa. Ela dormiu na casa onde ficam os seus irmãos. Eles costumam chamá-los de demônios ou simplesmente fantasmas. Se fosse assim tão simples, quanto a sua imaginação supõe... Então, talvez... Ela ainda estivesse em algum lugar. Talvez ela ainda não tenha ido para casa.
(...)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

| Senhorita Madrugada |

A madrugada é o período em que tudo perde o sentido. Não importa o quão moralizado seja, isso é irreversível. Ela te consome sem que percebas e depois restaura o que tirou de ti.

   Ela é a cura, mas o motivo da doença. Era exatamente isso que eu gostaria de dizer a ela. A bela ... madrugada. De noite ela me aguarda. Quando todos estiverem em suas camas quentes, eu estarei na rua fria. Dominado por esse sentimento estranho. E quando as lágrimas rolarem pelo meu rosto as limparei. Mas não cessarão. Pois são reservas infinitas, armazenadas para todo o sempre.
   Ao perde-la pude perceber isso. Eu percebi que a dor guardada um dia é expulsa por excesso de dor. É como uma memória muito usada. Uma hora chega ao limite e contra isso nada posso fazer.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Eu te ajudei tanto a se reerguer. Você me derrubou,  me matando lentamente. Eles disseram que você não podia amar. Que havia algo de errado com a sua cabeça, mas eu não consigo aceitar isso!
Eu estou louca, obssecada por você...

Textinho de hoje / 01-02-20