terça-feira, 25 de agosto de 2020

A história do Robert

 Robert VI



Robert desistiu.

Ele percebeu que de nada valia viver.

Ninguém estava lá para lhe dizer que ficaria tudo bem.

Se lembrava da sua formatura do colegial, aos 18 anos.

Suas bochechas naturalmente rosadas crespitavam como a lenha aquecida.

Seus olhos azuis, ainda vivos, olhavam ao redor.

Evitavam a câmera e a mulher sorridente que lhe escoltava.

Sempre chorava quando ela ia embora pra estrada. 

Deixando o pequeno Roby sozinho, como a deriva no mar.

Em suas memórias, aquela mulher sorridente era a melhor de todas elas.

Ela sempre estava sorrindo, alegrando o coração do pequeno Roby, mesmo em dias ruins...

Mas, ela não estava lá o tempo todo para lhe dizer...

... Que ficaria tudo bem.

Porque ela não tinha o mesmo sangue que ele, mas era tudo o que ele precisava.

Quando Roby a perdeu, seu coração ficou triste e endurecido. 

Seus olhos ganharam uma expressão morta.

Mas suas bochechas ainda permaneciam rosadas naturalmente. 



sábado, 18 de julho de 2020

Um pouco de romantismo...

Castelinhos de areia morrem nas praias...

Ondas se levantam, contraem-se sob o manto da terra e caem.

 Novamente.

Levanta como as ondas e cai.

Como a chuva espessa despenca dos céus e leva todas as impurezas junto com ela.

Como o vento que leva as lágrimas longe.

Leva minha tristeza também.

Quão longe está o céu?

Da chuva que cai dos meus olhos!

Esqueci de tudo.

Mero viajante andando no escuro, no beco  chamado solidão.

Procurando humanidade quando não se tem sanidade.


Amanhã, quando me levantar.

Serei capaz de esquecer?

Diga-me tu, mente perversa.

Vai se esquecer  disso?

Vai me perdoar por ser tão... limitada?

Perdoa-me, mente perversa.

Tu sabes como eu sou.

Mais que eu.

Então...

Nunca, nunca...

Tente me dizer para desistir.

(Porque uma tulipa azul mora em mim).

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Oblivion




  Cada palavra pesava um milhão de toneladas. Pude ver suas mãos tremeram quando mencionou o nome dele. Ela era apenas uma garotinha. Um trauma para o resto da vida. Jamais esqueceu daquilo e ainda que morra terá suas cicatrizes atemporais cravadas na pele, na mente.

 Mas ele nem sequer ligava. A sua mulher só aumentava seu ego de estar certo diante daquela situação.

 Julgada injustamente. Perdera sua vida. Havia morrido por dentro. Apenas seu físico sobrevivia aos longos dias. 

 Na rua um gatinho branco e preto com os olhos verdes belíssimos, que por sinal eram iguais aos dela, me olhava amedrontado na rua pálida. O sol lambia com sua luz uma parte dos prédios altos.

A cidade só era bonita porque você estava nela — Tentei dizer a garota. Mas ela sorriu, ficando com vergonha e sumiu, nos terríveis corredores da escola. Me apaixonei a primeira vista. Era tarde demais para ela?

Alguma vez na vida amou alguém ? — Perguntei.

Ela abaixou a cabeça, virando suas íris na direção para o barro que pisoteava e falou :

— Eu... amo a minha mãe.

« Pensava em um poema antigo. Mesmo que monstros te comam viva. Há de inocenta-los.  »

Isto é esquecer ou tolerar?

terça-feira, 9 de junho de 2020

Euforia

Euforia

Minha amiga não encontrou paz nesta vida
Ele só servia para entregar jornais
Na fila do banco, o homem sorriu
A atendente muito maquiada derramou trinta lágrimas, noite passada
Porque seu namorado teve outra crise de ciúmes
Pensando que o chefe dela iria se aproveitar
Da bondade e inocência da moça
Que só tem 23 anos
A mulher bem vestida
Entrou na agência de carros da esquina
Olhando para aquele com dígitos de 5 ou mais
Ela tirou um cartão da carteira e sorriu debochando
Daqueles meninos que sorriam apenas por comer 30 esfirras na lanchonete
Daqueles pessoas de rua que
escurecem as calçadas
Com sua aura
De quem cansou de viver

Da mãe que não tem comida para alimentar seus filhos
E mal consegue se manter em pé
De tanto trabalhar na roça
Ela cai no chão em exaustão

O velhinho de terno embarcou no trem das 7 novamente
O estudante universitário sentou na cadeira perto da janela outra vez
Colocou seu fone de ouvidos
E viajou para outro mundo enquanto todo mundo ainda estava ali
Olhando para a cara um do outro
Pensando em como era difícil pensar
Talvez amanhã, eles nem estejam mais lá
E se ontem eles viveram, foi porque ainda havia comida na mesa, salário na conta e outras coisas que nos servem de base para não morrer

A vida nunca precisou justificar o motivo de tanta ira
De tantas mortes
Do por que eu não morri como eles
Se a vida fosse realmente justa
Que motivos teríamos para brigar?
Acho que a falta deles, nos faz pensar
Será que o mundo ideal, não é, uma utopia impossível?

Se a vida fosse realmente justa
O que aconteceria com aqueles que lutaram contra essas injustiças?
Se não fosse possível determinar
Quem merece o que
Então por que?
Por que és tão difícil?
Viver

domingo, 7 de junho de 2020

| Future |


Obs: texto em linguagem informal.



Tarde demais.

Esperei tempo demais.

Agora estou sozinha no meu apartamento.

Esperando os ponteiros do relógio avançarem.

Procurando alguma coisa para comer.

Passo os dias olhando uma tela LED.

Vivo pensando em sair daqui.

Respirar um pouco de ar fresco lá fora...

Mas...

Pra que?

Estou bem aqui.

Isso foi o que eu sempre quis.

Eu nunca sonhei de verdade.

Só fiz o que era mais conveniente.

O que parecia mais certo.

O que era mais... "seguro"

Fui ingênua?

Se me arrependo?

Bem, isso não.

Tenho um salário consideravelmente bom.

Estou vivendo.

Trabalhando feito condenado.

Para no fim do mês ganhar a nota verdinha.

Perdendo minha vida.

Perdendo minha sanidade.

Mas tudo bem.

Um dia, quando me aposentar, vou aproveitar a vida melhor .

Vou fazer coisas que nunca fiz.

Irei viajar o mundo inteiro apenas para celebrar minha liberação.

Você não acha que estamos em um regime quase escravocrata?

No regime escravocrata não tínhamos nada, mas agora que podemos ter, queremos tudo.

Tipo... Pensa só.

Somos dependentes da nota verdinha.

Precisamos dela para viver, ter conforto, para viajar...

E conseguimos isso com nosso trabalho, nossa mão-de-obra.

Antes, precisamos estudar por um longo período para nos qualificarmos como uma boa "ferramenta".

Depois fazemos uma facul ou não e começamos a trabalhar ( isso varia)

Trabalhamos 8 horas por dia ou + ( se fizer hora extra)

Tudo isso para sobreviver e manter nosso padrão de vida.

O trabalho é algo essencial na sociedade capitalista, porque o consumo é o que movimenta a economia.

Tudo isso...

Gera felicidade?

Gera algo como realização?

Você ficaria feliz se trabalhasse 8 horas por dia?

Claro, tu não tem escolha.

Se não trabalhar te chamam de vagabundo.

Se tu trabalha num trampo qualquer te chamam de relaxado.

Se tem carteira assinada tu tá de boas.

Se tiver uma profissão "bonita" tu é o cara.

Mas isso... Gera felicidade?

O que é verdadeiramente recompensador a um ser humano?

Não é a aceitação da sociedade?

E não em si, o trabalho?

Não tô aqui falando algo que seja coerente. Apenas um achismo, um pensamento.

Nada de diferente das coisas desse site.


sexta-feira, 5 de junho de 2020

O ciclo das coisas

Estava esperando...
Por isso.
Estava esperando essa tristeza voltar e me arrastar outra vez para essas notas.
Este maldito bloco de notas.
Nunca termina.
Estamos em um espiral infinito.
Numa cidade espiralada.
Onde os ciclos não tem fim.
Tudo se repete e acaba.
Isto é o ciclo.
Que corrompeu nosso mundo e nossa mente.
Não existe lugar no mundo onde este ciclo não alcance.
Uzumaki tenta mostrar que embora nós tentemos fugir da realidade, ela ainda estará lá.
 É impossível fugir disso.
Este ciclo nunca vai terminar.
Porque a ordem natural das coisas.
Já é um ciclo.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Pequeno fantasminha escondido no quarto

| Prefácio |

Elas são como pássaros...
Preparam o ninho.
Botam os ovos.
Chocam estes.
Alimentam os filhotes.
Protegem.
E depois, nós aprendemos a voar.
Como os pássaros...

Mães deveriam ser.
Como pássaros.

Nota:

Esta história nada tem a ver com minha vida pessoal. Desta vez venho gritar em nome daqueles que não tem voz. Simples e direto. Meus textos estão mudando lentamente.

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Mamãe!!!

Cadê eu?

Hum... Eu estou aqui.

Dentro do quarto.

Tranquei a porta para você não entrar.

Você me machuca.

Fiquei com medo de você me machucar novamente.

A mamãe não desiste.

Ela força a porta.

E eu me cago de medo.

Pensando que ela poderia entrar aqui.

Fico com medo porque...

Isso dói muito.

Minha mente não aguenta quando você muda de humor, mamãe!

Se acalme, eu não era para ser seu bem mais precioso?

Um presente dos céus?

Por que me tratas como um lixo?

Hm, mamãe?

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Conversa aleatória com o leitor

Oh, criatura solitária, onde estás?

Você se perdeu?

Estava caminhando para bem longe, não é?

Algumas pessoas lhe dizem o que é "certo" e "errado", mas você não sabe o que escolher?

Ah, criaturinha, não existe certo e errado.

Existe você e sua cabecinha.

Pense, pense bastante e chegará a sua devida resposta.

Becos sem saída não existem, correto?

Siga minha sombra e a levarei até uma ponte.

Lá você poderá decidir o que quer.

Andar em linha reta, jogar-se no precipício ou apenas andar olhando em todas direções, sem se preocupar com nada!

Escolha, pois, a ponte é uma analogia a vida. Temos direito ao livre arbítrio. Sejamos honestos, ninguém está realmente livre. O preconceito nos prende, mas não temas. Pois tua ruína será desacreditar de nós! Fomos nós que criamos e destruímos. Podia ter coisas antes de nós, mas demos vida a esse universo.

Sejamos frios, fomos criados por um ser insensível, se acreditas na tese religiosa. Escute, acreditas em Deus?

Pois, eu não creio.

Sabe por que, minha criatura?

Porque eu sei que não posso provar que ele existe, portanto, hoje tenho medo do que me é desconhecido.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Mundo escuro _ Primeira história

Carta ao leitor --->

Esta história resume drasticamente minha história. Não morri, estou viva, mas quero dizer... No sentido conotativo, claro. Busquei na escrita algo que não poderia se quer sonhar na realidade. A expressão dos meus sentimentos. Não fui capaz de mudar por muitos anos e ainda creio que seja difícil a esta criatura mudar algo que permaneceu imutável durante tanto tempo. Mas quem disse que a esperança morreu? Ela continua viva dentro de mim e eu sei disso. Uma bela tulipa azul ainda vive aqui.


Mundo escuro - Primeira história

Naquela noite a menina curvou a rua deserta, procurando algum sinal de vida. Encontrou uma cidade fantasma, talvez empoeirada pelo tempo, mas que guardava diversas sepulturas em um nível de terra mais abaixo.

Talvez naquela cidade houvera vida algum dia e não fosse tão sombria quanto agora. Pode ser que tenha ficado assim por causa do tempo.

E se o tempo for mesmo o responsável por isso, provável que estivesse tentando se redimir agora.

Na relva pisoteada pela menina, viu uma pequena tulipa azul. Aquilo era mais do que o suficiente para constatar que a cidade fantasma não era bem fantasma.

Um dia aquele lugar brilhou, foi alegre e quente como o sol. Havia muita gente ali, famílias inteiras viveram e morreram na atual cidade fantasma. A tulipa era a prova disso. Ela era a esperança, que nunca morre, mesmo que desistam de acreditar nela.


O som de passos no solo arenoso trazia memórias àquela criança. Lembrava o gosto da infância, quando ainda pequena construía castelinhos de areia na praia rente as ondas, que os derrubavam levando tudo para longe. Quão longe estava sua infância no atual tempo e espaço? Será que algum dia se lembraria daquele tão horrível episódio, em que sua vida fora levada como a areia da praia?

Ainda criança morreu, não imagina como e exatamente quando. Não parou de crescer, vivia secretamente em um universo escuro, que pertencia somente a ela, não sabia o porquê. Se lembrava de pequenas coisas da infância, mas nada relevante a ponto de descobrir sua origem.

Sabia que estava sozinha ali, mas adorava crer que alguém viria buscá-la daquele lugar isolado.

Corria para esquecer seus pensamentos, distrair sua mente de forma que a mesma a levasse espontaneamente até onde ela queria. No penhasco que sempre ia à noite. Olhava as distantes montanhas, parte delas submersas pelo mar. O céu refletia-se na água levando sua mente a divagar, a conhecer a poesia; a arte mais pura que existe. Sorria, mesmo que não houvesse motivo . E de vez enquando chorava quando percebia seu estado alienado e depressivo.


Todos os seres humanos precisam interagir uns com os outros, mas alguns deles não são naturalmente chegados a isso. Se isolam dos outros, procurando silêncio, um momento de paz para ler ou estudar, conversar consigo mesmo e pensar. Estes seres não deixam de ser humanos por isso. Apenas tornam-se exceção em um universo onde a grande maioria faz o contrário disso o tempo inteiro.

Não é ruim ter amigos. É ótimo. Mas nem todo ser humano se permite ter amigos. Diferente de uma pessoa introvertida, o tímido é aquele que acovardado, se esconde da sociedade no leito macio de sua consciência e explora profundamente sua obsessão pela aprovação das pessoas ao seu redor. Tímidos têm extrema dificuldade de comunicação, tanta que as vezes desistem de se comunicar. Eles se isolam, por vezes, a fim de evitar relações sociais pois se sentem distantes quando estão em grupo. Estes seres também são humanos, mas humanos diferentes, que enfrentam dificuldades diariamente tentando vencer sua fera. Tentando vencer a si próprio.

A timidez não deveria ser vista como algo característico de um ser humano egocêntrico e ignorante. As vezes nós esquecemos do frio que sentimos na barriga quando apresentamos determinada coisa ao público. A timidez é natural, mas precisa ser vencida. Caso contrário torna-se-a doença, que penetra na mente e não diluí, mata aos poucos o indivíduo, levando esse a depressão.

Aliás a queixa emocional de verdade fica para o próximo post. Aguarde....

— Adultos sofrem o dobro que um adolescente e não ficam doentes de tristeza. Vai que essa geração está mais molenga. Na minha época, eu era um jovem desnutrido, que chamavam de agourento porque sempre que me viam, algo de ruim acontecia. Na primeira vez foram as galinhas comidas por um bicho. Depois uma velha morreu. Tudo era culpa minha. Que mal fiz a este mundo? Apenas existo, se existo mesmo. — ele coça a cabeça calva. — Ahhh, queria ser jovem de novo. — suspira.

domingo, 17 de maio de 2020

A suicida



De noite ela olha a janela esperando que o vento a leve, antes que ela decida por si mesma voar por aí.

Ela olha para o céu de manhã, esperando por dias piores. Porque tudo parece ruim, embora não seja exatamente ruim.

Ela vê tudo perfeitamente normal de manhã, mas quando chega a noite é como se tudo fosse alterado.

Seu humor, seus pensamentos, seu rosto.

Tudo piora.

E fica  pior ainda quando ela se vê no espelho.

Ela vê uma menina tentando sorrir, lutando contra suas lágrimas.

Ela vê dor, sofrimento e angústia.

Quando ela queria ver alegria.

Oh, ela grita.


Notas do autor:

Só sei que adolescente é um bicho chato, viu? Falo por experiência própria – ele falou como se entendesse.

Mas sabe como é. É tudo palhaçada essas coisas. Tudo passa. Sabe por que? Porque ... Hã... Esqueci. O que eu ia falar mesmo... ?— Ele parece perdido.

Deixamos essa queixa emocional para o próximo Post.